Ciência

DNA de neandertais está associado a cargas virais mais elevadas em infecções crônicas por vírus

07 de Junho de 2026 às 09:04

Estudo publicado na Genome Biology and Evolution indica que variantes genéticas de neandertais elevam a carga viral de cinco tipos de vírus de DNA em populações não africanas. A pesquisa identificou 18 regiões genéticas associadas a essa vulnerabilidade, muitas delas localizadas no complexo principal de histocompatibilidade

DNA de neandertais está associado a cargas virais mais elevadas em infecções crônicas por vírus
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A herança genética de neandertais, presente em cerca de 2% a 4% do DNA de populações não africanas, revela-se como um fator de vulnerabilidade diante de certas infecções crônicas. Um estudo publicado na revista *Genome Biology and Evolution*, baseado em dados do UK Biobank, identificou que variantes genéticas herdadas de humanos antigos estão associadas a cargas virais mais elevadas em cinco tipos de vírus de DNA, incluindo o Epstein-Barr, o Herpesvírus humano 7 e anelovírus da família Teno.

Diferente dos vírus de RNA, que costumam provocar infecções agudas, os vírus de DNA podem persistir no organismo por anos sem manifestar sintomas. Nesses casos, a quantidade de material viral detectado serve como indicador da eficiência do sistema imunológico em controlar a infecção. A análise revelou 18 regiões genéticas ligadas ao aumento da carga viral, com destaque para a localização de muitas delas no complexo principal de histocompatibilidade, área fundamental para que o sistema imune identifique células infectadas.

Michael Dannemann, professor associado de genômica evolutiva e coautor da pesquisa, aponta que as variantes derivadas dos neandertais podem não oferecer uma defesa eficaz contra esses vírus de DNA em humanos contemporâneos. Essa descoberta contrasta com evidências anteriores que atribuíam a essa herança genética efeitos benéficos na imunidade contra vírus de RNA.

A investigação ressalta que tais variantes não eram necessariamente prejudiciais aos próprios neandertais. Devido à rápida evolução dos vírus, o cenário infeccioso do Paleolítico era distinto do atual, o que significa que mutações que reduziam a carga viral no passado podem, hoje, ter o efeito oposto. Assim, o DNA neandertal configura-se como uma herança ambivalente, capaz de ter reforçado defesas antigas, mas que agora expõe o organismo a maiores cargas virais em infecções persistentes.

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