Elevação do nível do mar pode facilitar a expansão de espécies marinhas invasoras em áreas costeiras
A elevação do nível do mar pode expandir espécies marinhas invasoras para áreas costeiras inundadas, segundo estudo da Nature Ecology & Evolution. A pesquisa projeta a criação de até 470 mil quilômetros quadrados de novos habitats, com maior vulnerabilidade nas latitudes médias e no Mar do Norte
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A elevação do nível do mar poderá viabilizar a expansão de diversas espécies marinhas invasoras nas próximas décadas, criando novos habitats em áreas costeiras atualmente secas. Um estudo publicado na Nature Ecology & Evolution revela que a inundação gradual de terras firmes abre caminhos para a colonização de animais não nativos, adicionando um novo fator de risco aos impactos ecológicos das mudanças climáticas.
Áreas de vulnerabilidade e projeções
A pesquisa, conduzida por Qiang Lin e Xuan Liu, analisou a distribuição futura de 122 espécies já estabelecidas fora de seus habitats originais. Entre os animais monitorados estão a ostra do Pacífico, o camarão tigre asiático, o caranguejo chinês de Xangai, o caranguejo azul atlântico, o caranguejo verde europeu e a estrela-do-mar do Pacífico norte.
Os modelos indicam que as regiões de latitudes médias e as costas próximas ao Mar do Norte são as mais vulneráveis. Dependendo da evolução do clima, a área de novas zonas costeiras inundadas com condições favoráveis a essas espécies pode variar entre 290 mil e 470 mil quilômetros quadrados — extensão que equivale, respectivamente, ao tamanho da Itália e da Suécia. Estima-se que mais de dois terços das áreas inundadas em regiões onde esses animais já existem possam ser colonizadas.
Impacto nos ecossistemas costeiros
Os estuários são apontados como pontos críticos de sensibilidade. Por serem zonas de transição entre a terra e o mar e possuírem alta atividade humana, esses locais facilitam a propagação de organismos invasores à medida que a água avança sobre terrenos secos.
Essa dinâmica está ligada à alteração física da linha costeira. Sob o cenário de emissões moderadas (SSP2-4.5), a média global do nível do mar deve subir cerca de 20 centímetros até 2050 e atingir aproximadamente 56 centímetros em 2100. Esse avanço não apenas modifica a geografia litorânea, mas amplia o espaço disponível para a fixação de espécies introduzidas.
Monitoramento da biodiversidade
Embora as invasões biológicas já sejam reconhecidas como causas de perda de biodiversidade, a colonização de áreas recém-inundadas em escala global era um fator pouco explorado em avaliações de risco anteriores, que focavam majoritariamente no deslocamento de espécies.
A inclusão da elevação do nível do mar nos sistemas de monitoramento é fundamental para prever danos à biodiversidade, à produtividade da pesca e aos serviços ecossistêmicos. Apesar de haver incertezas sobre a velocidade da colonização em cada área inundada, a tendência é que a mudança na linha costeira favoreça a expansão de espécies invasoras em locais onde já possuem populações estabelecidas.