Ciência

Embrapa e universidades desenvolvem revestimento de óleo de mamona para tornar a ureia mais eficiente

14 de Maio de 2026 às 06:13

Embrapa, USP, Unesp e Unaerp desenvolveram um revestimento de poliuretano de óleo de mamona e nanoargila para ureia. A tecnologia reduz a liberação de nitrogênio para 22% em nove dias, aumentando a absorção de biomassa em testes com capim-piatã

Embrapa e universidades desenvolvem revestimento de óleo de mamona para tornar a ureia mais eficiente
Novo revestimento à base de óleo de mamona e argila mineral aumenta eficiência da ureia e reduz perdas de nitrogênio. Foto: Pedro Octávio.

Uma parceria entre a Embrapa e pesquisadores da USP, Unesp e Universidade de Ribeirão Preto (Unaerp) resultou no desenvolvimento de um revestimento para ureia que otimiza a liberação de nitrogênio no solo. A tecnologia, testada pela primeira vez em plantas no Brasil, utiliza um polímero derivado de óleo de mamona associado à nanoargila mineral para tornar o fertilizante mais eficiente e reduzir o desperdício durante o cultivo.

A ureia é amplamente utilizada globalmente por sua alta concentração de nitrogênio, porém sua rápida dissolução ao entrar em contato com a água provoca perdas significativas do nutriente antes que as plantas consigam absorvê-lo. Para solucionar esse problema, os cientistas envolveram os grânulos do fertilizante em uma camada de poliuretano biodegradável, proveniente do óleo de mamona, combinada com a montmorilonita, uma argila mineral.

Testes laboratoriais revelaram que a ureia convencional libera mais de 85% do nitrogênio em apenas quatro horas quando exposta à água. Já o fertilizante com a camada de poliuretano reduziu essa liberação para 70% em nove dias. A eficiência aumentou drasticamente com a adição de 5% de nanoargila, que limitou a liberação do nitrogênio a apenas 22% no mesmo período.

A montmorilonita atua através de camadas extremamente finas que dificultam a passagem da água e o transporte do nitrogênio. Além de servir como barreira física, a nanoargila interage quimicamente com o nutriente, permitindo que ele permaneça disponível no solo por mais tempo e seja liberado gradualmente, acompanhando a demanda de absorção da planta.

A eficácia do sistema foi comprovada em casa de vegetação com o cultivo de capim-piatã em 35 vasos, com duas plantas por unidade e cinco réplicas. A adubação foi aplicada 15 dias após a germinação e monitorada por 135 dias. Os resultados indicaram maior absorção de nitrogênio e aumento na produção de biomassa, com efeitos positivos mantidos durante quatro cortes sequenciais do capim.

Essa inovação permite a criação de revestimentos mais finos sem perda de desempenho, o que reduz o impacto ambiental. Ao controlar a velocidade de liberação do nitrogênio, a tecnologia mitiga a volatilização de amônia e a emissão de óxido nitroso, um potente gás de efeito estufa.

O desenvolvimento também possui relevância estratégica para a agricultura nacional. Atualmente, o Brasil importa mais de 85% dos fertilizantes utilizados no campo, sendo o nitrogênio um dos insumos mais caros. A pesquisa alinha-se às metas do Plano Nacional de Fertilizantes 2022-2050, que visa diminuir a dependência externa e ampliar a sustentabilidade da produção agrícola brasileira.

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