Empresa australiana cria rede de neurônios humanos vivos para aumentar a eficiência da biocomputação
A Cortical Labs apresentou em Washington o HIVE, sistema que interconecta quinze unidades de computadores biológicos com neurônios humanos. A rede elevou a precisão no reconhecimento de símbolos para 99% e superou a IA convencional em velocidade de aprendizado e navegação em grade virtual. Os resultados são preliminares e ainda não passaram por revisão por pares
:format(jpg)/f.elconfidencial.com%2Foriginal%2F49c%2F8a5%2F4bc%2F49c8a54bcc51b7f2154f3200d599e866.jpg)
A empresa australiana Cortical Labs desenvolveu um sistema capaz de interconectar múltiplos computadores biológicos, criando uma rede de neurônios humanos vivos que operam de forma coordenada. Batizado de HIVE, o sistema integra quinze unidades do CL1 — hardware que mantém células neurais vivas em chips com eletrodos para estímulo e registro de respostas.
A inovação visa solucionar a instabilidade inerente à biocomputação, onde cultivos individuais de neurônios apresentam desempenhos variáveis diariamente. Ao distribuir o processamento entre várias unidades, a rede garante a continuidade da operação mesmo diante da falha de um componente, transformando demonstrações laboratoriais em ferramentas com a confiabilidade necessária para a implementação em centros de dados.
Desempenho e Eficiência de Aprendizado
A capacidade de coordenação do HIVE, que ocorre de forma orgânica sem treinamento prévio para a sincronização, resultou em saltos significativos de precisão e pontuação em testes específicos:
- Reconhecimento de símbolos: A precisão saltou de 80% para 99% ao unir sete bioordenadores.
- Navegação em grade virtual: Enquanto uma inteligência artificial convencional atingiu 32% da pontuação máxima e o melhor CL1 individual alcançou 40%, a decisão conjunta da rede elevou a marca para 70%. Quando a tarefa foi dividida entre grupos especializados, o índice chegou a quase 80%.
Além da precisão, a computação biológica demonstrou superioridade na velocidade de aprendizado. Em estudos preliminares, os cultivos de neurônios exigiram cinco partidas para atingir resultados que a IA demandou ao menos quatro vezes mais tempo para igualar.
Limitações e Desafios Técnicos
Apesar dos avanços, a comunicação com os cultivos biológicos permanece complexa. Testes conduzidos durante mais de 4.000 horas, abrangendo 1.300 combinações de ajustes elétricos, revelaram que apenas 12 configurações permitiram que as células aprendessem de maneira constante.
Outros pontos de atenção incluem:
- Ausência de revisão: Os dados do HIVE são resultados preliminares da Cortical Labs e ainda não passaram por revisão por pares.
- Escopo limitado: As tarefas executadas, como guiar personagens ou reconhecer símbolos, são simplistas se comparadas a funções de IAs comerciais, como a tradução de textos.
- Mecanismos desconhecidos: Ainda não foi identificado como os neurônios de máquinas distintas se comunicam nem se o aumento de conexões ampliará a performance.
O sistema foi apresentado nesta semana durante a primeira Conferência Internacional de Inteligência Organoide, em Washington. Para a Cortical Labs, a viabilidade de empilhar unidades CL1 como se fossem servidores é o passo fundamental para que a biocomputação se torne uma alternativa escalável e confiável.