Empresa britânica desenvolve banana que não escurece após ser cortada ou descascada
A empresa britânica Tropic desenvolveu uma banana que não escurece após o corte via edição genética CRISPR-Cas9. A variedade, que reduz a produção da enzima PPO, já possui autorização para comercialização no Brasil, Japão e Filipinas
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/D/z/6XtDwST7aMAtkw0fQARg/banana.jpg)
Cientistas da empresa britânica de biotecnologia agrícola Tropic desenvolveram uma variedade de banana que não escurece após ser descascada ou cortada. A modificação mantém a polpa amarela e com aspecto fresco por um período prolongado, preservando o sabor e a textura originais da fruta.
A polpa da nova variedade resiste ao escurecimento por pelo menos um ou dois dias a mais do que as bananas convencionais, prazo que é estendido caso o alimento seja mantido sob refrigeração.
A tecnologia por trás da inovação
O processo de oxidação, que torna a fruta escura, é provocado pela polifenol oxidase (PPO), uma enzima comum em diversos vegetais que é ativada ao entrar em contato com o oxigênio. Para neutralizar esse efeito, a Tropic utilizou a ferramenta de edição genética CRISPR-Cas9.
Com essa técnica, a produção da enzima PPO foi drasticamente reduzida sem a inserção de DNA de espécies externas. O método de edição genética já havia sido aplicado anteriormente em tomates, morangos e cogumelos.
Impacto no desperdício e sustentabilidade
A inovação visa viabilizar a presença de bananas em produtos pré-embalados, como refeições de café da manhã e saladas de frutas. O objetivo central é combater o descarte massivo de frutas que, embora próprias para o consumo, são rejeitadas por sua aparência.
Dados de um levantamento do governo britânico de 2017 indicam que 1,4 milhão de bananas eram jogadas no lixo diariamente no Reino Unido. Na ocasião, constatou-se que 30% dos consumidores descartavam a fruta devido a manchas marrons, pretas ou pequenos amassados.
Além da questão do desperdício, a Tropic estima que a nova variedade pode reduzir em mais de 9 milhões de toneladas as emissões anuais de CO₂ no mercado de exportação de bananas.
Regulamentação e disponibilidade global
No Reino Unido, o Departamento de Meio Ambiente, Alimentação e Assuntos Rurais (Defra) já aprovou a notificação de comercialização, classificando a fruta como uma "variedade melhorada com precisão". Essa definição é essencial para a distribuição sob a legislação de plantas geneticamente editadas, vigente na Inglaterra desde novembro de 2025.
Apesar do aval do Defra, a banana ainda passará por avaliação da Agência de Padrões Alimentares do Reino Unido antes de chegar aos supermercados britânicos.
Enquanto aguarda a etapa final na Inglaterra, a empresa já obteve autorizações para comercializar o produto no Japão, nas Filipinas e no Brasil. A aprovação em território brasileiro é vista como estratégica, dado que o país figura entre os maiores produtores e consumidores globais de bananas. Devido ao impacto do avanço, a revista Time listou a fruta que não oxida como uma das melhores invenções do ano.