Engenheiros da Índia desenvolvem concreto com zeólita e bambu capaz de capturar dióxido de carbono
Engenheiros da Mepco Schlenk Engineering College, na Índia, criaram um concreto que captura CO₂ usando zeólita e biocarboneto de bambu. A mistura ZB5, com 50% de zeólita e 1% de biocarboneto, superou o concreto comum em resistência e reteve 1,2 g do gás por dia. O material poderá ser aplicado em pavimentos, barreiras rodoviárias e tubulações de esgoto
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Engenheiros da Mepco Schlenk Engineering College, na Índia, desenvolveram um concreto capaz de capturar dióxido de carbono (CO₂). A inovação, detalhada na revista científica Carbon Research, utiliza a combinação de zeólita e biocarboneto de bambu para transformar a estrutura do material, que tradicionalmente contribui para a emissão de gases poluentes devido à produção do cimento.
O projeto, coordenado por Srinivasan Revathi, buscou criar uma composição que reduzisse o impacto ambiental sem prejudicar a integridade estrutural. Para isso, a equipe utilizou o concreto de grau M35, comum em infraestruturas de tráfego moderado, testando a substituição do agregado fino por zeólita (em 25% e 50%) e de parte do cimento por biocarboneto de bambu (em concentrações de 0,5%, 1% e 1,5%).
Propriedades e desempenho mecânico
A eficácia da mistura baseia-se na porosidade do mineral zeólita e na alta área superficial e teor de carbono do biocarboneto de bambu, características que facilitam a retenção de gases. Durante os testes, foram avaliados a absorção de água, a resposta a impactos e as resistências à compressão e à tração indireta.
A formulação denominada ZB5, que integra 50% de zeólita e 1% de biocarboneto de bambu, destacou-se como a mais eficiente:
- Resistência à compressão: atingiu 38,49 MPa, superando o concreto convencional em 7,48%.
- Resistência à tração indireta: chegou a 4,39 MPa, um índice aproximadamente 15% maior que a mistura padrão.
Esse ganho de performance é atribuído à interação entre a dureza do biocarboneto e a estrutura de aluminosilicatos da zeólita.
Captura de carbono e aplicações
Além do reforço estrutural, a amostra ZB5 demonstrou capacidade de remediação ambiental. Em câmara de carbonatação, o material capturou cerca de 1,2 g de CO₂ por dia, com a carbonatação penetrando 15 mm na estrutura após sete dias de exposição. A matriz cimentícia passa a atuar como superfície de retenção do gás graças aos microporos da zeólita e ao carbono do bambu.
Srinivasan Revathi pontua que a tecnologia permite a criação de infraestruturas sustentáveis em locais de alta emissão, como zonas industriais e estradas urbanas, transformando o material de construção em uma ferramenta ativa de limpeza do ar.
Atualmente em fase de testes, o novo concreto possui potencial para ser aplicado em tubulações de esgoto, barreiras rodoviárias e pavimentos. As próximas etapas da pesquisa focarão na durabilidade a longo prazo, na manutenção da capacidade de captura de CO₂, no uso de biocarboneto umedecido e na testagem de diferentes argamassas e graus de concreto para viabilizar a produção comercial em larga escala.