Ciência

Engenheiros do MIT criam sistema de propulsão híbrido que utiliza um único tanque de combustível

05 de Junho de 2026 às 09:04

Engenheiros do MIT criaram um sistema de propulsão híbrido que utiliza o combustível ASCENT para alimentar motores químicos e elétricos em um único tanque. A tecnologia será testada pela NASA em um CubeSat com lançamento previsto para novembro

Engenheiros do MIT criam sistema de propulsão híbrido que utiliza um único tanque de combustível
NASA

Engenheiros do MIT desenvolveram um sistema de propulsão híbrido que permite a operação de dois tipos de motores distintos utilizando um único tanque de combustível. A tecnologia viabiliza a combinação de propulsores químicos, caracterizados por impulsos rápidos e potentes para mudanças orbitais imediatas, e propulsores elétricos, que oferecem alta eficiência e aceleração gradual para trajetos de longa duração.

Até então, a implementação de ambos os sistemas em microsatélites era inviável devido à limitação de espaço, já que cada motor exigia seu próprio reservatório de combustível. A solução foi encontrada no uso do ASCENT (Advanced SpaceCraft Energetic Non-Toxic propellant), um propelente desenvolvido pela Força Aérea dos Estados Unidos para substituir a hidrazina, substância tradicionalmente usada em foguetes químicos, porém altamente tóxica.

A viabilidade do sistema reside no fato de o ASCENT ser um líquido iônico — sais que permanecem líquidos à temperatura ambiente e no vácuo. Essa característica permite que o combustível seja utilizado em propulsores eletrospray, dispositivos do tamanho de uma unha que aplicam campos elétricos para carregar íons do líquido e expulsá-los no espaço, gerando impulso de forma silenciosa e eficiente.

A pesquisa, liderada por Amelia Bruno e conduzida no grupo do catedrático Paulo Lozano, utilizou câmaras de vácuo com plataformas de levitação magnética para simular as condições espaciais. Os testes indicaram que o ASCENT apresenta desempenho de impulso semelhante aos propulsores eletrospray convencionais. Embora o estudo, publicado no Journal of Propulsion and Power, tenha identificado discrepâncias entre as medições diretas e indiretas do fluxo de massa, sugerindo perdas ainda não compreendidas, a equipe não considera esse ponto um impedimento ao desenvolvimento da tecnologia.

A aplicação prática do sistema será testada em parceria com a NASA na missão Green Propulsion Dual Mode. O projeto consiste em um CubeSat com dimensões semelhantes às de uma mala, equipado com um foguete químico e quatro propulsores eletrospray, todos alimentados pelo mesmo tanque de ASCENT. O lançamento está programado para novembro deste ano, marcando a primeira vez que um satélite operará com dois tipos de propulsão a partir de uma única fonte de combustível.

Essa arquitetura híbrida amplia a capacidade de microsatélites em missões científicas e de observação. A tecnologia permite, por exemplo, que constelações de satélites se posicionem rapidamente para monitorar tempestades em tempo real ou que CubeSats alcancem Marte e o cinturão de asteroides, utilizando a propulsão elétrica para o deslocamento lento e a química para manobras ágeis em pontos de interesse.

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