Equipe de astrônomos disponibiliza o maior mapa bidimensional do Universo já criado
A equipe do DESI Legacy Imaging Surveys lançou o maior mapa bidimensional do Universo, com 5,6 trilhões de pixels e quase 4 bilhões de objetos celestes. O catálogo gratuito resultou de 13 anos de trabalho e 263.407 fotografias de telescópios no Chile e nos Estados Unidos. Os dados servem de base para a criação de modelos tridimensionais e estudos sobre matéria escura e energia escura
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/t/j/uodiBmRMST5WHeXucejQ/noirlab2620a.jpg)
Um novo catálogo astronômico, desenvolvido pela equipe do DESI Legacy Imaging Surveys, disponibilizou publicamente o maior mapa bidimensional do Universo já criado. A imagem, que possui 5,6 trilhões de pixels, permite a navegação por quase 4 bilhões de objetos celestes, incluindo estrelas, galáxias, asteroides e buracos negros. O material é fruto de um trabalho de 13 anos, durante o qual cerca de 75% da abóbada celeste foi fotografada.
A construção do mapa envolveu a colaboração de mais de 160 cientistas, que integraram 263.407 fotografias obtidas por telescópios situados no Chile e nos Estados Unidos. Após a captura, um grupo de 20 pesquisadores organizou e unificou os dados para a versão final. O acesso ao conteúdo é gratuito por meio da ferramenta Legacy Survey Sky Viewer, que possibilita a exploração do cosmos via zoom e deslocamento de tela.
A transição do mapeamento 2D para o 3D
Embora o levantamento registre a posição e a intensidade do brilho dos astros, ele não indica a distância em que se encontram em relação à Terra. Essa limitação técnica torna o mapa 2D um guia essencial para a etapa seguinte: a criação de um modelo tridimensional.
Os dados de brilho e localização servem de base para o Instrumento Espectroscópico de Energia Escura (DESI). Este equipamento utiliza fibras ópticas robóticas para captar a luz de quasares — núcleos galácticos de alta luminosidade — e de galáxias. A distância desses objetos é calculada através do desvio para o vermelho, fenômeno causado pela expansão do universo que altera a frequência da luz, similarmente ao efeito sonoro de uma sirene que se afasta.
Com essa metodologia, o DESI antecipou seu cronograma e concluiu, em abril de 2026, o mapeamento 3D de mais de 47 milhões de quasares e galáxias, estabelecendo o registro tridimensional de maior resolução já produzido.
Composição técnica e objetivos científicos
O mapa foi consolidado a partir de três levantamentos distintos, utilizando equipamentos variados para captar diferentes espectros de luz:
- Luz visível: a faixa detectável pelo olho humano.
- Luz infravermelha próxima: capaz de atravessar nuvens de poeira e estrelas da Via Láctea, revelando o Universo extragaláctico.
Além de orientar o DESI, o catálogo é aberto a astrônomos amadores e pesquisadores para a identificação de eventos rápidos, como a explosão de supernovas, e a localização de lentes gravitacionais.
O material é fundamental para o estudo de dois pilares da física moderna: a matéria escura, que não emite luz e é detectada apenas por sua influência gravitacional, e a energia escura, força responsável pela aceleração da expansão do cosmos. Análises preliminares do DESI indicam que a influência da energia escura pode estar diminuindo com o tempo, o que contraria o modelo cosmológico padrão. Novas observações seguem até 2028, com a expectativa de dados mais robustos para 2027.
Impacto e referências futuras
O catálogo do DESI Legacy Imaging Surveys complementa outros esforços, como o experimento HETDEX, que em 2026 apresentou um mapa 3D baseado na emissão de hidrogênio entre galáxias, focando em estruturas formadas entre 9 e 11 bilhões de anos atrás.
Para a comunidade científica, o novo levantamento servirá como base comparativa para observatórios que entrarão em operação em breve, como o Telescópio Espacial Nancy Grace Roman, da Nasa, e o Vera C. Rubin. Além disso, o volume de dados será utilizado para o treinamento de sistemas de inteligência artificial destinados a processar petabytes de informações astronômicas.
Versões anteriores deste projeto já fundamentaram mais de 1.800 artigos científicos, tendência que deve crescer com a precisão e a amplitude da versão atual.