Equipe Japonesa Encontra Organismo Marinho com Estrutura Cristalina em Fossa de Nankai
Equipe de cientistas japoneses encontrou uma esponja com estrutura cristalina a cerca de 791 metros de profundidade no fundo marinho japonês. A descoberta foi feita durante expedição à Fossa de Nankai, onde foram registradas 80 espécies até então desconhecidas. A pesquisa aumenta significativamente o conhecimento sobre biodiversidade do local e destaca a complexidade dos ecossistemas do oceano profundo
:format(jpg)/f.elconfidencial.com%2Foriginal%2Fe36%2Fc5c%2F9df%2Fe36c5c9df4b839b6916755b393a01f7b.jpg)
Em uma das regiões mais desconhecidas dos oceanos mundiais, uma equipe de cientistas japoneses mergulhou quase 1.000 metros em busca de novidades e não decepcionou: encontraram um organismo marinho que lembra a forma cristalina de um castelo.
A expedição Nippon Foundation-Nekton Ocean Census foi realizada em junho do ano passado, na parceria entre o Japão e a Japan Agency for Marine-Earth Science and Technology (JAMSTEC). Os cientistas exploraram duas áreas menos estudadas no fundo marinho japonês: Fossa de Nankai e cadeia de montanhas submarinas Shichiyo.
Um dos principais achados foi uma esponja com estrutura composta por sílica, o mesmo material que forma vidro. Isso cria um esqueleto transparente, como se fosse feito de cristal. A equipe fotografou essa maravilha a cerca de 791 metros de profundidade graças ao submersível tripulado Shinkai 6500.
A imagem capturada durante a imersão revela uma estrutura delicada que serve como abrigo para outras espécies marinhas, assemelhando-se à vida dentro de um castelo cristalino. Os cientistas comparam essa relação ao uso dos vermes poliquetos Dalhousiella yabukii e Leocratides watanabeae em sua interioridade.
A pesquisa liderada pelo pesquisador Naoto Jimi sugere que a própria esponja pode representar uma espécie ainda não descrita pela ciência. Isso demonstra claramente a complexidade dos ecossistemas do oceano profundo, onde diferentes espécies dependem de estruturas naturais para sobreviver.
Os dados obtidos durante essa expedição aumentam significativamente o conhecimento sobre a biodiversidade da Fossa de Nankai. Antes dessa pesquisa, apenas 14 espécies haviam sido identificadas nesse ambiente, embora nunca a tão grande profundidade. Agora, esse número é elevado para 80 espécies registradas.
Os cientistas lembram que ainda há muito o que explorar no nosso oceano: apenas 0,001% do fundo marinho foi observado diretamente até hoje. Isso sugere que existem inúmeras espécies a serem descobertas e estudadas para entender melhor esses ecossistemas complexos.
Essa pesquisa é um passo importante em direção ao entendimento da biodiversidade do oceano profundo, demonstrando como diferentes organismos interagem e dependem uns dos outros.