Ciência

Espécie de água-viva consegue reverter o ciclo de vida e retornar ao estágio de pólipo

22 de Outubro de 2026 às 18:01 3 min de leitura

A água-viva Turritopsis dohrnii consegue reverter seu ciclo de vida de medusa para pólipo por meio da transdiferenciação celular. Pesquisas analisam o DNA da espécie para aplicar esses mecanismos de reparo genético na biologia regenerativa humana

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Espécie de água-viva consegue reverter o ciclo de vida e retornar ao estágio de pólipo
Getty Images

A espécie de água-viva Turritopsis dohrnii apresenta uma capacidade biológica singular: a habilidade de reverter seu ciclo de vida, desafiando o processo natural de envelhecimento. Conhecida como a água-viva imortal, a criatura consegue transformar seu corpo adulto, a medusa, em um estágio inicial de vida chamado pólipo, permitindo que ela retome sua juventude e gere novas colônias.

O mecanismo de rejuvenescimento

O processo de reversão ocorre quando o animal é submetido a situações de estresse, como a falta de alimento ou mudanças drásticas na salinidade da água. Nessas condições, a medusa interrompe seu desenvolvimento e se transforma em uma bola de células. Em um período de um a três dias, essa estrutura evolui para um pólipo, que posteriormente dará origem a centenas de novas águas-vivas.

Essa façanha é possível graças a um fenômeno chamado transdiferenciação. Enquanto a maioria dos animais possui células-tronco que se especializam e permanecem em um único tipo celular até a morte, a Turritopsis dohrnii consegue fazer com que células adultas retornem ao estado não diferenciado, transformando-se em qualquer outro tipo de célula necessária para a formação do pólipo.

Genética e a busca pela regeneração humana

Pesquisas conduzidas por cientistas da Universidade A&M do Texas, da Universidade de Salento e da Universidade de Oviedo buscam decifrar os segredos moleculares desse processo. Um estudo de 2022 revelou que o DNA dessa espécie possui mais cópias de genes responsáveis pela produção de proteínas que reparam mutações e lesões genéticas.

Além disso, a espécie apresenta maior eficiência na manutenção dos telômeros — as extremidades das fitas de DNA que protegem o material genético. Em seres vivos comuns, os telômeros encurtam com a idade, tornando o DNA vulnerável; na água-viva imortal, a capacidade de repará-los contribui para sua longevidade.

O interesse científico reside na possibilidade de aplicar esses mecanismos na biologia regenerativa humana. O objetivo não é a imortalidade, mas a capacidade de reverter a degeneração de tecidos e células para:

  • Acelerar a cura de feridas e regenerar tecidos lesionados após infartos ou AVCs;
  • Tratar doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer;
  • Reverter a perda de visão relacionada à idade.

Limites da imortalidade

Apesar de sua resiliência, a Turritopsis dohrnii não é invulnerável. Observações laboratoriais indicam que alguns indivíduos não conseguem rejuvenescer e que pode haver um limite para a quantidade de vezes que esse ciclo pode ser repetido.

Na natureza, a espécie continua exposta a riscos fatais, como a predação, a escassez de plânctons e a proliferação de algas que podem sufocar as colônias. Assim, embora a espécie demonstre que a mortalidade biológica não é inevitável em todos os casos, ela permanece suscetível às pressões do ecossistema marinho.

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