Estados Unidos e China disputam a instalação de bases permanentes no polo sul da Lua
Estados Unidos e China disputam a instalação de bases permanentes no polo sul da Lua para explorar gelo de água e produzir combustível. A NASA e empresas privadas planejam habitação de longo prazo a partir de 2032, enquanto Pequim e Rússia visam criar a Estação Internacional de Pesquisa Lunar até 2035
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A nova corrida espacial, protagonizada por Estados Unidos e China, marca a transição de missões de visitação para a tentativa de estabelecimento de bases permanentes na Lua. Diferente da competição ocorrida há sessenta anos, onde o foco era a chegada e a coleta de amostras, a estratégia atual prioriza a permanência humana e a exploração de recursos naturais.
O ponto central dessa disputa é o polo sul lunar, região que abriga depósitos de gelo de água. Esse recurso é considerado estratégico, pois pode ser processado para fornecer suporte à vida em assentamentos ou decomposto em hidrogênio e oxigênio para a produção de combustível de foguetes, reduzindo os custos de transporte desde a Terra e permitindo o reabastecimento de satélites.
Infraestrutura e Desafios Técnicos
A instalação de bases no polo sul enfrenta obstáculos ambientais severos. As temperaturas em crateras sem incidência solar podem cair para mais de 200 graus centígrados abaixo de zero, exigindo sistemas de aquecimento constantes. Além disso, a irregularidade da luz solar torna a energia fotovoltaica insuficiente, tornando a fissão nuclear a alternativa necessária para manter as baterias carregadas.
Para viabilizar a operação, a NASA utiliza a nave Orion para o transporte de astronautas, enquanto as empresas SpaceX e Blue Origin competem no desenvolvimento de módulos de pouso independentes. Um teste crucial ocorrerá na missão Artemis III, com a tentativa de acoplamento da cápsula Orion a esses módulos em órbita terrestre baixa.
Entre 2029 e 2032, a previsão é a implantação de sistemas de comunicação e energia. O planejamento inclui a construção de bases parcialmente subterrâneas para proteção contra radiação e detritos espaciais, além do uso de um veículo de exploração japonês pressurizado, que funcionará como um laboratório móvel. A partir de 2032, o objetivo é a habitação de longo prazo com a produção local de água, oxigênio e materiais de construção.
A Ascensão da China e a Cooperação Internacional
A China, em parceria com a Rússia, consolidou-se como a principal concorrente dos EUA. O país já opera a estação espacial Tiangong desde 2021 e obteve êxitos com o programa Chang'e, que explorou a face oculta da Lua e coletou amostras.
O cronograma chinês prevê os testes da cápsula Mengzhou e do veículo de pouso Lanyue nos próximos dois anos, visando um pouso tripulado em 2030. Até 2035, Pequim planeja a construção da Estação Internacional de Pesquisa Lunar, também localizada no polo sul.
Potencial Científico e Econômico
A presença permanente na Lua abre frentes de pesquisa em saúde, ciência de materiais e geologia lunar. Um dos objetivos científicos mais relevantes é a instalação de radiotelescópios na face oculta da Lua, área protegida das interferências de rádio da Terra, facilitando a detecção de sinais cósmicos fracos.
Do ponto de vista logístico, a baixa gravidade lunar favorece o lançamento de missões para outros pontos do sistema solar, permitindo a montagem de naves maiores e mais eficientes. Economicamente, o setor impulsiona o mercado privado na fabricação de veículos de exploração e transporte de carga.
Questões Geopolíticas e Legais
A limitação de locais adequados para assentamentos humanos no polo sul pode transformar a exploração científica em uma disputa territorial. Embora o Acordo da Lua da ONU de 1979 determine que nenhum país pode reivindicar soberania sobre o satélite, a maioria das nações do programa Artemis, incluindo os Estados Unidos e o Reino Unido, não assinou o tratado.
Atualmente, apesar da capacidade de cerca de 20 países de realizar lançamentos de satélites, apenas EUA, Rússia e China detêm a tecnologia necessária para enviar seres humanos ao espaço com foguetes próprios, devido à complexidade de manter sistemas de suporte à vida em um ambiente sem margem para erros.