Estados Unidos estudam recuperar minerais raros de cinzas de carvão para reduzir dependência da China
Os Estados Unidos analisam a extração de minerais raros de cinzas de carvão para diminuir a dependência de importações da China. Pesquisas indicam que resíduos industriais americanos possuem cerca de 11 milhões de toneladas desses metais, com valor estimado em US$ 100 bilhões. A iniciativa busca viabilizar métodos de recuperação rentáveis para suprir a fabricação de tecnologias avançadas e equipamentos de defesa
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Os Estados Unidos estudam a recuperação de minerais raros a partir de cinzas de carvão, resíduos industriais acumulados por décadas, para reduzir a dependência externa de elementos essenciais à fabricação de tecnologias avançadas, sistemas de energia, veículos e equipamentos de defesa. Um estudo da Universidade do Texas em Austin, publicado no Journal of Coal science & Technology, indica que esses depósitos possuem concentrações significativas de metais críticos.
O potencial dos resíduos de carvão
A queima do carvão elimina a maior parte de sua massa combustível, o que pode concentrar os minerais raros no resíduo final em níveis até 10 vezes superiores aos encontrados na fonte original. Pesquisadores estimam que existam cerca de 11 milhões de toneladas desses materiais nas cinzas americanas, volume quase oito vezes maior que as reservas domésticas conhecidas do país.
De acordo com os cálculos, o valor econômico recuperável desses elementos poderia atingir US$ 100 bilhões. Complementarmente, dados do Journal of Environmental Management apontam que as cinzas de carvão teriam capacidade de fornecer mais de 300.000 toneladas de minerais raros anualmente.
Dependência estratégica e processamento
Os minerais raros compreendem 17 elementos metálicos cuja extração e refino são complexos e onerosos. Atualmente, a China domina a cadeia global, sendo responsável por 70% da extração e 90% do processamento de minerais raros pesados.
Essa concentração impacta diretamente os EUA, que importam cerca de 70% do suprimento desses elementos da China. Embora o país opere uma mina na Califórnia que responde por 16% da produção mundial, a nação não possui infraestrutura nacional suficiente para todas as etapas de processamento, tornando a busca por fontes internas uma prioridade estratégica e econômica.
Desafios técnicos e sustentabilidade
O aproveitamento de resíduos já extraídos permitiria evitar a abertura de novas minas e diminuir a vulnerabilidade da cadeia de suprimentos. No entanto, a viabilidade do projeto depende da criação de métodos de recuperação que sejam rentáveis e sustentáveis, já que as técnicas convencionais possuem baixo rendimento e geram resíduos.
Para solucionar esse impasse, equipes científicas testam alternativas como:
- Processos eletroquímicos;
- Uso de microrganismos e plantas acumuladoras de metais;
- Aplicação de ácidos menos agressivos.
Em testes piloto, pesquisadores da Universidade de Monash alcançaram a recuperação de até 90% dos 17 elementos. O engenheiro químico Sankar Bhattacharya ressalta que a iniciativa possui um impacto duplo, pois promove a redução de resíduos ambientais ao mesmo tempo em que assegura o fornecimento nacional de minerais críticos.