Estrutura de impacto de 390 milhões de anos é descoberta no norte do Canadá via satélite
O astrônomo amador Joël Lapointe identificou via satélite a estrutura de impacto Uhackatik, no norte do Canadá, com 25 km de diâmetro e 390 milhões de anos. O geólogo Gordon Osinski confirmou a presença de rochas fundidas e cones de fratura no local. Os resultados da análise científica serão apresentados em agosto na Sociedade Meteorítica
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Uma estrutura geológica de aproximadamente 390 milhões de anos foi localizada no norte do Canadá, na região de Côte-Nord, em Quebec. A descoberta ocorreu inicialmente por meio de imagens de satélite do Google Maps, que revelaram um relevo circular incomum na área do lago Marsal.
O achado foi identificado em 2024 pelo astrônomo amador Joël Lapointe, que utilizava a ferramenta para planejar uma expedição. Após detectar a anomalia, Lapointe reportou a observação à Impact Earth, plataforma colaborativa vinculada à Universidade Western.
Características da formação Uhackatik
Batizada de Uhackatik, com a concordância do Conselho Innu de Ekuanitshit, a estrutura possui cerca de 25 km de diâmetro. Essa dimensão a posiciona como uma das maiores estruturas de impacto catalogadas recentemente.
Em 2025, o geólogo planetário Gordon Osinski realizou uma inspeção presencial no local. A equipe de campo identificou evidências de metamorfismo de impacto, que são deformações rochosas resultantes de pressões e temperaturas extremas geradas pela colisão de um corpo extraterrestre com a superfície da Terra.
Durante a análise, foram encontrados:
- Cones de fratura: ramificações nas camadas rochosas causadas por ondas de choque.
- Rochas fundidas: volumes de material que derreteram no momento do impacto e, posteriormente, resfriaram e cristalizaram, assemelhando-se a formações vulcânicas.
Preservação e análise científica
A conservação dessas rochas fundidas surpreendeu os pesquisadores, pois esse material costuma ser o primeiro a desaparecer devido aos processos de erosão em cráteres antigos. A permanência de tais evidências é rara, dado que a atividade geológica terrestre tende a apagar cicatrizes dessa antiguidade.
Atualmente, as amostras coletadas passam por exames microscópicos para a detecção de alterações no quartzo e a identificação de sinais químicos ligados a altas temperaturas.
O objetivo do estudo é confirmar a origem extraterrestre de Uhackatik e utilizar os dados para compreender a evolução de cráteres na Terra. A análise permitirá comparar os processos de erosão terrestres com os observados em outros corpos rochosos, como Marte e a Lua.
Os resultados da pesquisa, que ainda passam por revisão científica, serão apresentados em agosto, durante a 88ª Reunião Anual da Sociedade Meteorítica, em Frankfurt.