Estruturas milenares no deserto da Ásia Ocidental são estudadas por meio de fotografias aéreas
O projeto de Arqueologia Aérea investiga estruturas milenares no deserto da Ásia Ocidental, como armadilhas de caça e formações circulares. A pesquisa utiliza fotografias aéreas para documentar vestígios de até 12 mil anos, especialmente no Jordão
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Milhares de formações rochosas gigantescas espalhadas pelo deserto da Ásia Ocidental são o foco de investigações científicas que buscam compreender a finalidade de estruturas milenares, visíveis apenas em sua totalidade a partir de altitudes elevadas. No Jordão, o projeto de Arqueologia Aérea documenta vestígios que remontam a 12 mil anos de história humana, utilizando a fotografia aérea como principal fonte de dados, já que grande parte dessas construções não passou por escavações diretas.
O registro dessas silhuetas no terreno começou após a Primeira Guerra Mundial, identificado por pilotos britânicos em patrulha. Localmente, as comunidades beduínas referiam-se a esses elementos como "as obras dos antigos". Entre as formações, destacam-se as chamadas "rodas", "medusas" e "estruturas circulares com divisões internas", cujas dimensões superam o tamanho de cidades. Robert Bewley, arqueólogo da Universidade de Oxford, aponta que a função real desses monumentos permanece desconhecida, existindo a possibilidade de terem sido assentamentos, áreas de armazenamento ou centros de processamento de mercadorias.
Um grupo específico de círculos, com até 500 metros de diâmetro, levanta hipóteses sobre a existência de rotas de peregrinação animal, embora não haja evidências materiais que confirmem a tese. Devido às características visuais, essas estruturas são frequentemente comparadas às Linhas de Nazca.
Outro elemento recorrente na superfície desértica são os muros de pedra conhecidos como "cometas" ou "kite". Estas eram armadilhas de caça pré-históricas projetadas para guiar manadas de gacelas até recintos fechados com fossos profundos. A distribuição dessas armadilhas é extensa, abrangendo milhares de quilômetros desde a Armênia até o Iêmen, com exemplares localizados também no Iraque e no Líbano.
A iniciativa científica atual originou-se em 1997, vinculada ao arquivo da instituição APAAME, fundada por David Kennedy em 1978. O objetivo do projeto é transferir a gestão da pesquisa para o âmbito local, permitindo que cientistas jordanianos liderem a preservação do patrimônio histórico do país.