Ciência

Estudante de escola pública cria máquina solar de tratamento de água e vence prêmio nos Estados Unidos

13 de Maio de 2026 às 06:18

Ygor Requenha Romano criou uma máquina de tratamento de água movida a energia solar para comunidades de até 50 pessoas. O equipamento, que remove metais pesados e custa R$ 1 mil, venceu o terceiro lugar em Engenharia Ambiental na Intel ISEF, nos Estados Unidos

Estudante de escola pública cria máquina solar de tratamento de água e vence prêmio nos Estados Unidos
Estudante de escola pública de Rondônia cria sozinho máquina que trata água para 50 pessoas com energia solar e leva o terceiro lugar na Intel ISEF, nos EUA.

Ygor Requenha Romano, estudante de escola pública, desenvolveu uma máquina de tratamento de água movida exclusivamente a energia solar, capaz de atender comunidades de até 50 pessoas. O equipamento realiza processos de tratamento físico, químico e microbiológico, removendo metais pesados de águas captadas em poços e rios. A tecnologia foi projetada para operar sem a necessidade de rede elétrica convencional, o que a torna viável para populações ribeirinhas do Norte do Brasil e outras regiões remotas sem infraestrutura de saneamento.

O projeto foi premiado com o terceiro lugar na categoria de Engenharia Ambiental na Intel ISEF (Feira Internacional de Ciências e Engenharia da Intel), nos Estados Unidos, onde o inventor recebeu um prêmio de mil dólares. A chegada ao evento internacional ocorreu após a obra ser reconhecida na Feira Brasileira de Ciências e Engenharia da Universidade de São Paulo (Febrace).

A motivação para a criação do protótipo surgiu da precariedade do acesso a recursos básicos na região do estudante, onde 94% da população não dispunha de água tratada e esgoto. Atualmente, a alternativa comum nessas localidades é a instalação de poços artesianos, cujo custo pode atingir R$ 10 mil, valor proibitivo para famílias de baixa renda. Em contrapartida, a máquina de Romano tem um custo de montagem estimado em R$ 1 mil, representando um investimento dez vezes menor que o de um poço tradicional.

Além do baixo custo, o sistema foi planejado para ter manutenção simplificada, permitindo que pessoas sem formação técnica operem o equipamento no cotidiano sem a dependência de especialistas. Enquanto aparelhos profissionais com funções similares costumam custar dezenas de milhares de reais e exigir energia elétrica, a invenção de Ygor resolve ambas as limitações, podendo ser replicada em qualquer localidade com incidência solar.

O desenvolvimento do protótipo contou com o apoio do zelador da escola do estudante, que disponibilizou sua serralheria particular para a execução do trabalho. Durante a fase de montagem e testes, Ygor dedicou até doze horas diárias à oficina improvisada. O estudante atribuiu a colaboração do funcionário ao fato de ele também ter enfrentado situações precárias de falta de água durante a infância.

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