Ciência

Estudantes da Universidade Politécnica de Valência criam plataformas flutuantes para produção de alimentos com energia solar

25 de Setembro de 2026 às 12:21 2 min de leitura

Estudantes da Universitat Politècnica de València desenvolvem o Eden Blue, sistema de plataformas flutuantes que utiliza energia solar e água do mar para a produção de alimentos. O projeto integra dessalinização, cultivo de plantas e uso de microorganismos halófilos, com protótipo previsto para o final de 2026

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Estudantes da Universidade Politécnica de Valência criam plataformas flutuantes para produção de alimentos com energia solar
UPV/Eden Blue Project

Estudantes da Universitat Politècnica de València (UPV) desenvolvem o Eden Blue, um sistema de plataformas modulares flutuantes projetado para a produção de alimentos utilizando energia solar e água do mar. O objetivo central da iniciativa é mitigar a dependência da agricultura em relação ao solo fértil e às reservas de água doce, combatendo o chamado "paradoxo costeiro", onde regiões próximas ao oceano sofrem com a escassez de recursos hídricos potáveis para irrigação.

Liderado por Mario Ribelles, aluno de Biotecnologia e Química, o grupo é composto por 16 estudantes de diversas áreas e conta com a supervisão da professora Claudia Palloti Sagripanti. A proposta não se baseia em uma única descoberta tecnológica, mas na integração de processos que normalmente operam de forma isolada.

Funcionamento e integração tecnológica

O ciclo operacional do Eden Blue inicia-se com a captação de energia solar para a dessalinização da água do mar. O líquido doce resultante é direcionado para o cultivo de plantas em sistemas que dispensam a necessidade de solo agrícola tradicional.

Diferente de métodos convencionais, a plataforma prevê o aproveitamento total dos subprodutos:

  • Água doce: destinada à irrigação vegetal.
  • Água salina (rejeito): utilizada para o cultivo de microorganismos halófilos (adaptados ao sal), capazes de gerar compostos de interesse biotecnológico.

Para gerenciar essa cadeia, o sistema contará com sensores e tecnologia IoT (Internet das Coisas), permitindo a monitorização automatizada de variáveis hídricas e vegetais, essencial para a futura operação em ambiente marinho.

Etapa de desenvolvimento e validação

Atualmente, o projeto encontra-se na fase de prototipagem e validação laboratorial. A equipe já projetou a unidade de obtenção de água doce e trabalha na elaboração de protocolos experimentais para testar diferentes sistemas de irrigação, substratos e microorganismos no módulo vegetal.

O próximo marco técnico consiste em um teste integrado em escala de laboratório, que seguirá o fluxo: produção constante de água $\rightarrow$ experimento vegetal $\rightarrow$ direcionamento do resíduo salino para um fotobiorreator.

A apresentação do primeiro protótipo integrado está prevista para o final de 2026, com foco na obtenção de dados confiáveis sobre a estabilidade da combinação entre biotecnologia marinha, agricultura e energia solar. Pelo seu potencial inovador, o projeto foi laureado com o Prêmio Talento Jovem da Comunidade Valenciana na categoria de Ciência e nomeado Projeto Inovador da Cidade de Gandia 2026.

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