Estudo aponta que fauna de pequeno porte sofre declínio enquanto grandes espécies se recuperam na Espanha
Estudo do Instituto Pirenaico de Ecologia e da Universidade Miguel Hernández aponta que, na Espanha, a recuperação de grandes vertebrados coexiste com a microdegradação de insetos, anfíbios e pequenas aves. O declínio dessas espécies menores é impulsionado por mudanças climáticas, espécies invasoras e a intensificação agrícola com uso de pesticidas
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A transição de sociedades agrícolas para modelos industriais e tecnológicos alterou a natureza da pressão humana sobre a fauna na Espanha. Enquanto a perseguição direta a grandes vertebrados diminuiu, surgiu um processo de erosão silenciosa que afeta espécies de menor porte. O fenômeno foi analisado em um estudo conduzido pelo Instituto Pirenaico de Ecologia (IPE), do Conselho Superior de Pesquisas Científicas (CSIC), em parceria com a Universidade Miguel Hernández (UMH).
O paradoxo da biodiversidade
A pesquisa, publicada no Journal of Applied Ecology, identifica a coexistência de dois movimentos opostos: o rewilding (recuperação da natureza) e a microdegradação da fauna. A redução da caça, a ampliação de áreas disponíveis e a implementação de políticas de conservação permitiram que grandes herbívoros e predadores, como aves de rapina, corços e lobos, recuperassem seus habitats e expandissem suas populações, embora ainda não tenham atingido os níveis naturais históricos.
Em contrapartida, animais menos visíveis, como insetos, anfíbios e pequenas aves, enfrentam declínios severos. Esse cenário é impulsionado por fatores socioeconômicos do último século, com destaque para:
- Intensificação da agricultura;
- Uso de pesticidas e medicamentos veterinários;
- Mudanças climáticas;
- Expansão de espécies invasoras.
Impactos ecológicos e detecção
A disparidade na visibilidade desses processos ocorre devido à escala de atuação de cada espécie. Enquanto a recuperação de animais como o javali ou o lobo é perceptível em regiões extensas ou em nível nacional, a queda nas populações de fauna pequena é irregular e localizada, pois agentes como os pesticidas atuam no ambiente imediato, tornando a detecção mais complexa.
Apesar de menos emblemáticos, animais como abelhas e perdizes desempenham funções vitais, incluindo a polinização e o controle biológico de insetos e roedores em plantações de cereais. A interdependência entre grandes e pequenos vertebrados ocorre por meio de parasitismo, decomposição, competição, predação e modificação da vegetação.
Riscos à integridade do ecossistema
A recuperação de grandes espécies, embora necessária, não garante a integridade total do ecossistema. A desestabilização da fauna de menor porte pode comprometer processos ecológicos essenciais, como a dispersão de sementes, a produtividade vegetal e a transmissão de doenças.
Diante disso, os pesquisadores defendem a necessidade de um monitoramento abrangente que inclua todos os níveis da cadeia alimentar e tamanhos de fauna. Essa abordagem é considerada um desafio político fundamental para a compreensão real dos habitats e a gestão das novas comunidades biológicas na paisagem espanhola.