Ciência

Estudo chinês identifica a presença de microplásticos em todas as amostras de artérias humanas analisadas

16 de Outubro de 2026 às 18:17 2 min de leitura

Pesquisadores da Capital Medical University detectaram microplásticos em 100% de 17 amostras de artérias humanas, com maior concentração em tecidos com aterosclerose. O material predominante foi o PET, composto comum em embalagens e garrafas. O estudo, publicado no Journal of Hazardous Materials, indica que a contaminação ocorre via inalação e ingestão

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Estudo chinês identifica a presença de microplásticos em todas as amostras de artérias humanas analisadas
CSIC/Silvia Martín Puig/IIBM

Pesquisadores da Capital Medical University, na China, identificaram a presença de microplásticos em tecidos de artérias humanas, expandindo o mapeamento de áreas do corpo contaminadas por essas partículas. O estudo, publicado no Journal of Hazardous Materials, analisou amostras coletadas durante procedimentos cirúrgicos para investigar a extensão da poluição plástica no sistema circulatório.

Concentração e distribuição nos tecidos

A análise foi realizada em 17 amostras de artérias, abrangendo a aorta, as carótidas e as artérias coronárias. O resultado revelou que a contaminação estava presente em 100% dos tecidos examinados. Um dado relevante é que as concentrações encontradas nas paredes arteriais foram superiores às registradas em pesquisas anteriores que focavam apenas na circulação sanguínea.

Houve variação na quantidade de partículas dependendo da condição do tecido:

  • Artérias coronárias e carótidas: amostras com placas de gordura (aterosclerose) apresentaram cerca de duas vezes mais microplásticos.
  • Aorta: amostras sem a presença de placas registraram menores índices de contaminação.

Apesar da correlação, os cientistas ressaltam que a diferença de concentração não comprova que o plástico seja a causa da doença, podendo estar ligada às características anatômicas de cada artéria.

Composição química e vias de contaminação

O material predominante nas artérias foi o tereftalato de polietileno (PET), responsável por 73,7% do total de plásticos detectados. Esse polímero é amplamente utilizado na fabricação de embalagens de alimentos, garrafas de água e vestuário. A alta incidência desse material pode refletir a frequência da exposição humana a esses produtos, embora a hipótese ainda demande validação.

As principais vias de entrada dessas partículas no organismo seriam a inalação do ar e a ingestão de alimentos e bebidas. Uma vez absorvidos, os microplásticos migram para a corrente sanguínea e podem se depositar em diversos tecidos.

Impactos na saúde cardiovascular

Embora a relação causal direta com patologias humanas ainda não tenha sido estabelecida, a equipe baseou-se em estudos com animais para alertar sobre os riscos. As evidências sugerem que a presença de microplásticos pode desencadear:

  • Estresse oxidativo e danos nas células;
  • Interferências no metabolismo de lipídios e energia;
  • Respostas de imunoinflamação.

O estudo define como prioridade para as próximas etapas de pesquisa a identificação da origem exata dessas partículas, a compreensão de sua distribuição vascular e a análise dos efeitos reais sobre a saúde cardiovascular.

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