Estudo chinês revela como tempestades influenciam a energia nas profundezas do Oceano Pacífico
Pesquisadores do IOCAS identificaram que 68% das variações energéticas no leito do Oceano Pacífico derivam de fenômenos superficiais. O estudo analisou dados de 46 estações submarinas para quantificar a transferência de energia via chaminés inerciais. Os resultados permitem aprimorar a detecção de submarinos por meio de modelos acústicos
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Pesquisadores do Instituto de Oceanologia da Academia Chinesa de Ciências (IOCAS) quantificaram a energia que viaja da superfície do oceano até as profundezas marinhas, revelando como tempestades influenciam o fundo do mar. O estudo, publicado na revista Deep-Sea Research Part I e assinado por Mu Yurong e Xu Yongsheng, identificou que 68% das variações energéticas nas ondas próximas ao leito oceânico são determinadas por fenômenos nas camadas superiores.
A dinâmica das chaminés inerciais
O processo começa quando o vento atinge a superfície, empurrando a água que, influenciada pela rotação da Terra, passa a oscilar como um pêndulo. Esse movimento gera ondas internas que transportam a energia do vento para as camadas mais profundas. No entanto, a estratificação do oceano — com águas quentes no topo e frias na base — costuma dificultar essa transferência.
A superação dessa barreira ocorre por meio de redemoinhos subaquáticos. No hemisfério norte, aqueles que giram no sentido horário funcionam como funis, acelerando e concentrando a descida das ondas em seus centros, estruturas denominadas chaminés inerciais. Já os redemoinhos com rotação contrária produzem o efeito oposto.
Metodologia e coleta de dados
Para chegar a esses resultados, a equipe chinesa analisou dados públicos de 46 estações fixadas no fundo do Oceano Pacífico, ao leste do Japão. A rede de sensores, instalada entre 2004 e 2006 com verba da Fundação Nacional de Ciência dos EUA, cobre uma área de 600 por 600 quilômetros a mais de 5.000 metros de profundidade.
A utilização de sensores fixos é fundamental porque as tempestades alteram a salinidade e a temperatura do fundo do mar em intervalos curtos, de horas ou dias, tornando a medição via embarcações ineficaz para acompanhar tais variações em tempo real.
Aplicações na detecção submarina
A quantificação dessa energia possui implicações diretas na comunicação submarina e na localização de embarcações. O IOCAS observou que as mudanças térmicas e de salinidade modificam a intensidade e a trajetória do som sob a água. Ao integrar esses dados a modelos acústicos, torna-se possível aprimorar a detecção de submarinos.
Essa descoberta soma-se a outros esforços tecnológicos de Pequim para reduzir a invisibilidade de submarinos, como o desenvolvimento de um magnetômetro quântico acoplado a drones. Atualmente, a China mantém a instalação de sensores no fundo do mar em regiões estratégicas, incluindo as proximidades de Guam, Filipinas e ao leste do Japão.
De acordo com Peter Scott, ex-chefe da força de submarinos australiana, a obtenção desses dados é potencialmente inestimável para a preparação de cenários de combate.