Ciência

Estudo com 80 mil pessoas revela que a maioria dos cuidadores necessita de suporte psicológico

24 de Setembro de 2026 às 06:00 2 min de leitura

Estudo de universidades australianas com mais de 80 mil pessoas indica que a maioria dos cuidadores de pacientes crônicos precisa de suporte psicológico. A pesquisa, publicada na Psychology & Health, destaca a predominância de mulheres cuidando de parceiros com câncer. No Reino Unido, cerca de um milhão de pessoas deixaram seus empregos para atuar como cuidadores não remunerados

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Estudo com 80 mil pessoas revela que a maioria dos cuidadores necessita de suporte psicológico
Truthseekers para Pixabay

Uma revisão abrangente de pesquisas conduzidas ao longo de duas décadas revela a magnitude dos impactos psicológicos e sociais enfrentados por cuidadores de pessoas com condições físicas crônicas. O estudo, publicado na revista científica Psychology & Health, analisou dados de mais de 80 mil pessoas e evidenciou que a maioria desses indivíduos necessita de suporte psicológico, embora raramente busque assistência profissional.

A investigação foi coordenada por pesquisadores das universidades de Sydney e Queensland, na Austrália. A equipe, liderada por Isaac, compilou 29 estudos publicados desde 2005, abrangendo cuidadores residentes no Canadá, Estados Unidos, Austrália, Reino Unido e em outras regiões da Europa. O perfil predominante identificado foi o de mulheres, que frequentemente assumiram a responsabilidade pelos cuidados de parceiros ou maridos diagnosticados com câncer.

Impactos no sistema de saúde e mercado de trabalho

A análise aponta que a negligência com a saúde mental dos cuidadores decorre de modelos de assistência médica centrados exclusivamente no paciente. De acordo com a professora de psicologia Rebekah Laidsaar-Powell, coautora do trabalho, os sistemas de saúde operam sob a premissa de que os cuidadores absorvam a carga de assistência domiciliar, mas falham em oferecer amparo quando essa função prejudica o bem-estar de quem cuida.

Essa pressão reflete-se diretamente na economia e na vida profissional. Dados da instituição Carers UK indicam que, nos últimos dois anos, aproximadamente um milhão de pessoas pediram demissão para se dedicarem ao cuidado de familiares. Esse cenário é reforçado por levantamentos recentes que apontam a saída diária de cerca de 1.500 britânicos do mercado de trabalho para atuarem como cuidadores não remunerados.

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