Ciência

Estudo com corais das Galápagos indica que o aquecimento global intensificou episódios de El Niño

06 de Novembro de 2026 às 08:46 2 min de leitura

Estudo com corais fossilizados das Ilhas Galápagos indica que a variabilidade térmica do Oceano Pacífico desde 1984 é 36,5% maior que no período pré-industrial. A análise liderada por Julie Cole vincula a intensificação do El Niño ao aquecimento global de origem humana

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Estudo com corais das Galápagos indica que o aquecimento global intensificou episódios de El Niño
EFE/NOAA

A temperatura da superfície do Oceano Pacífico registrou oscilações sem precedentes nos últimos mil anos, com um aumento acentuado na intensidade dos episódios de El Niño nas últimas décadas. A descoberta foi possível graças a um estudo liderado pela cientista ambiental Julie Cole, que utilizou corais fossilizados das Ilhas Galápagos para reconstruir o histórico térmico da região desde o ano 1100.

Metodologia de reconstrução climática

Para obter os dados, a equipe analisou a composição química dos esqueletos de corais, focando na proporção entre estrôncio e cálcio, além de isótopos de oxigênio, elementos que servem como indicadores da temperatura da água. A coleta foi realizada com precisão milimétrica, permitindo a extração de mais de doze medições anuais e a criação de registros com resolução mensal.

A base de dados compreendeu 28 séries de temperatura coletadas em cinco ilhas do arquipélago. Enquanto corais vivos foram utilizados para validar as informações com medições instrumentais recentes, os espécimes fossilizados — alguns depositados nas praias por séculos — foram datados por meio de métodos de urânio-tório.

Comparativo de variabilidade térmica

Os resultados apontam que a variabilidade da temperatura a partir de 1984 é 36,5% superior à registrada no período pré-industrial (entre 1000 e 1850). Esse índice também supera em 16,2% a oscilação observada entre 1851 e 1982. A análise estatística confirma que esses três intervalos apresentam diferenças significativas e seguem uma tendência de ascensão.

O estudo identificou que esse aumento está vinculado especificamente à fase quente do fenômeno El Niño-Oscilação do Sul (ENSO). Os registros mostram que nem o período quente medieval, nem a Pequena Idade do Gelo, geraram impactos comparáveis aos atuais.

Influência antrópica e riscos climáticos

Para determinar se a mudança era fruto de ciclos naturais, a equipe utilizou modelos climáticos que simularam o último milênio considerando variações solares e atividade vulcânica. As simulações, no entanto, não conseguiram reproduzir o aumento observado nos corais quando os gases de efeito estufa foram excluídos da equação.

Com um nível de confiança próximo a 99%, a diferença entre os modelos naturais e os dados reais evidencia a influência do aquecimento global provocado pela atividade humana. A intensificação das oscilações térmicas do ENSO, somada a uma atmosfera mais quente e com maior capacidade de retenção de vapor d'água, pode agravar a ocorrência de secas e chuvas extremas.

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