Ciência

Estudo com primatas sugere raízes evolutivas para a relação entre humanos e animais de estimação

16 de Outubro de 2026 às 09:07 2 min de leitura

Pesquisadores da Universidade de Oxford analisaram 427 casos de interações entre 88 espécies de primatas e 127 espécies companheiras. O estudo, publicado na revista Primates, identificou que as atividades mais comuns foram o brincar e o cuidado. A maioria das aproximações partiu dos primatas, sem benefícios imediatos como alimento ou proteção

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Estudo com primatas sugere raízes evolutivas para a relação entre humanos e animais de estimação
Alexandre Bonnefoy y Cédric Sueur

Interações sociais entre primatas e animais de outras espécies podem revelar as raízes evolutivas da relação entre seres humanos e animais de estimação. Uma revisão científica internacional, coordenada por pesquisadores da Universidade de Oxford e divulgada na revista Primates, analisou centenas de casos de vínculos amigáveis para compreender a base desses comportamentos.

Análise de interações interespecíficas

O estudo compilou 427 ocorrências que envolveram 88 espécies de primatas e 127 espécies companheiras, sendo que 55 destas últimas não eram primatas. A base de dados foi construída a partir de 303 observações da literatura científica, 66 relatos de primatólogos e 58 registros de meios de comunicação.

Entre os casos documentados, destacam-se comportamentos incomuns, como:

  • Macacos com rabo de porco cuidando de cães domésticos na Tailândia;
  • Langores cinzentos acariciando esquilos gigantes no Sri Lanka;
  • Jovens macacos com focinho preto e branco brincando com porcos domésticos na China;
  • Lemures realizando cuidados corporais em indivíduos de outras espécies.

Padrões de comportamento e motivações

As atividades mais recorrentes foram o brincar (139 casos) e o cuidado (136 casos). A pesquisa identificou que a predisposição varia conforme o perfil do primata: jovens tendem a brincar, enquanto fêmeas adultas demonstram maior inclinação ao cuidado. Já os machos adultos participaram dessas interações com menor frequência.

A maioria das aproximações partiu dos próprios primatas, muitas vezes sem a existência de benefícios imediatos, como a obtenção de alimento ou proteção contra predadores. Foram registrados episódios de abraços, transporte de filhotes, descanso compartilhado e brincadeiras sem recompensa óbvia.

Implicações evolutivas e riscos

Cyril C. Grueter, professor associado da Universidade de Oxford e autor principal do estudo, afirma que esses dados questionam a exclusividade humana na formação de laços sociais com outras espécies. Embora esses comportamentos não sejam idênticos ao conceito de ter um animal de estimação, eles podem representar componentes evolutivos que permitiram a posterior companhia entre humanos e animais.

A análise também aponta que tais relações nem sempre são positivas. A equipe documentou 13 mortes de animais companheiros e situações em que a curiosidade dos primatas resultou em manuseio brusco.

Apesar dos riscos, os autores concluem que a flexibilidade social e a empatia demonstradas pelos primatas oferecem pistas sobre a capacidade de se relacionar além da própria espécie, servindo como um precursor ancestral para os vínculos estreitos que os humanos mantêm hoje com cães e gatos.

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