Estudo confirma que cratera em São Paulo foi originada pela colisão de um asteroide
Pesquisadores da USP e do Instituto de Pesquisas Ambientais confirmaram que a Cratera de Colônia, em São Paulo, resultou da colisão de um asteroide. A prova mineralógica foi obtida via análise de grãos de zircão com sinais de metamorfismo de choque. A estrutura de 3,6 quilômetros de diâmetro é uma das duas únicas crateras de impacto habitadas do mundo
Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e do Instituto de Pesquisas Ambientais confirmaram que a Cratera de Colônia, localizada em Parelheiros, na Zona Sul de São Paulo, foi originada pela colisão de um asteroide com a Terra. A descoberta, detalhada em estudo publicado na revista Earth and Planetary Science, fornece evidências mineralógicas diretas que afastam hipóteses de deformações tectônicas ou metamorfismo comum.
A formação geológica, que possui 3,6 quilômetros de diâmetro, foi identificada por imagens aéreas na década de 1960. Devido à sua relevância, a área foi tombada pelo Condephaat em 2003 e reconhecida como Monumento Geológico em 2009.
Análise de minerais e metamorfismo de choque
A confirmação da origem extraterrestre foi possível graças à análise de grãos de zircão, um mineral altamente resistente ao tempo e a alterações químicas. Os cientistas identificaram nesses cristais sinais de metamorfismo de choque, que ocorre quando rochas são submetidas a pressões e temperaturas extremas e súbitas, típicas de impactos espaciais.
As amostras foram obtidas durante três sondagens realizadas pela Sabesp para a instalação de um poço artesiano na região. Para a pesquisa, foram analisadas 200 lâminas delgadas de rocha, das quais 40 grãos de zircão — com aproximadamente 0,05 milímetros de comprimento — foram selecionados para observação detalhada com luz polarizada de alta resolução.
Durante a análise, a equipe identificou diversas deformações estruturais nos minerais, incluindo:
- Planar deformation features (PDFs): linhas microscópicas resultantes da propagação de ondas de choque;
- Recristalização da estrutura interna;
- Desorientação cristalográfica;
- Perturbação nas zonas de crescimento do mineral;
- Texturas granulares decorrentes de fragmentação.
Contexto geológico e global
Embora estudos anteriores já tivessem apontado a existência de esférulas e deformações em mica e quartzo no local, a identificação do zircão oferece uma prova mineralógica mais robusta.
A Cratera de Colônia integra um grupo seleto de estruturas globais. De acordo com o Earth Impact Database (EID) — banco de dados administrado pela Universidade de New Brunswick, no Canadá, que cataloga 190 estruturas confirmadas no mundo —, a formação paulista é uma das duas únicas crateras de impacto habitadas do planeta, dividindo essa característica com a cratera de Ries, na Alemanha.
Histórico e localização
Situada no bairro Vargem Grande, a cratera deve seu nome ao bairro vizinho, Colônia Paulista. Originalmente chamada de Colônia Alemã, a localidade teve sua nomenclatura alterada durante a Segunda Guerra Mundial.
O estudo contou com a colaboração de Victor Velázquez Fernandez e Rodrigo Ferreira Lucena (EACH-USP), além de José Maria Azevedo Sobrinho, Alethéa Ernandes Martins Sallun e William Sallun Filho, todos vinculados ao Instituto de Pesquisas Ambientais.