Estudo confirma que mecanismo de Anticítera utilizava ciclos do ano lunar para codificar tempo
Pesquisadores da Universidade de Glasgow identificaram entre 354 e 355 furos no anel do calendário do mecanismo de Anticítera. O estudo utilizou análise Bayesiana e dados de uma réplica para confirmar a relação do artefato com o ano lunar
Um estudo de 2024, conduzido por pesquisadores da Universidade de Glasgow, trouxe novas evidências sobre o funcionamento do mecanismo de Anticítera, artefato datado do início do século I a.C. e considerado o primeiro computador analógico da história. A análise focou no anel do calendário, componente responsável por codificar ciclos temporais, e concluiu que a peça possuía entre 354 e 355 furos. Esse número confirma a relação do dispositivo com a duração de um ano lunar, validando hipóteses levantadas em investigações anteriores.
Para chegar a esse resultado, Graham Woan e Joseph Bayley aplicaram ferramentas estatísticas modernas a dados já existentes, utilizando a análise Bayesiana e métodos originalmente desenvolvidos para a detecção de ondas gravitacionais. A precisão do trabalho artesanal grego ficou evidente nos dados: os furos estavam distribuídos em um círculo com raio de aproximadamente 77,1 milímetros, mantendo uma separação de apenas 0,028 milímetros entre si.
A pesquisa foi estimulada por uma iniciativa de reconstrução prática realizada por Chris Budiselic, do canal Clickspring. Woan teve acesso aos dados obtidos por Budiselic durante a tentativa de criar uma réplica do anel, o que motivou o desenvolvimento de uma abordagem acadêmica distinta para resolver o problema.
Encontrado em 1901 em um naufrágio romano próximo à ilha de Antikythera, o mecanismo permaneceu por décadas como um achado arqueológico isolado devido à complexidade de suas engrenagens e mostradores. A sofisticação técnica do objeto altera as referências históricas sobre a inovação tecnológica, antecedendo em quase dois milênios marcos da computação moderna, como o ENIAC.