Ciência

Estudo da Uerj indica que a genética influencia a frequência de lesões em atletas profissionais

19 de Junho de 2026 às 09:04

Estudos da Uerj e do Into com 627 atletas indicam que a predisposição genética influencia a frequência de lesões e a percepção da dor. A variante do gene FAAH rs324420 aumenta a probabilidade de relatos de dor musculoesquelética, especialmente em áreas previamente lesionadas. A análise do perfil genético e dados clínicos permite a criação de estratégias personalizadas de prevenção e recuperação

Estudo da Uerj indica que a genética influencia a frequência de lesões em atletas profissionais
Reprodução/TV Globo

A predisposição genética influencia a frequência de lesões e a percepção de dor em atletas profissionais, conforme demonstram estudos realizados pelo Laboratório de Pesquisa de Ciências Farmacêuticas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Lapesf-Uerj) em parceria com o Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into). A análise de 627 esportistas revelou que 80% já sofreram alguma lesão na carreira, com maior incidência em tendões, músculos e articulações. Desse grupo, 20% apresentaram comprometimento em mais de uma estrutura anatômica.

As investigações do grupo de pesquisa indicam que variações no DNA podem alterar a suscetibilidade a esses danos, afetando a produção de colágeno, a estrutura do tecido musculoesquelético, a formação de vasos sanguíneos, o processo inflamatório e a capacidade de reparação dos tecidos após o esforço físico.

Um ponto central da descoberta refere-se ao gene FAAH (Fatty Acid Amide Hydrolase), integrante do sistema endocanabinoide, que regula a inflamação, a resposta ao estresse e a percepção da dor. Ao avaliar 345 atletas de diversas modalidades, incluindo o futebol, os pesquisadores identificaram que indivíduos com a variante FAAH rs324420 possuem maior probabilidade de relatar dor musculoesquelética, especialmente em áreas que já haviam sido lesionadas.

Esse resultado foi corroborado em um estudo expandido com 130 jogadores de futebol de clubes do Rio de Janeiro. Os dados mostraram que a mesma variante genética eleva o risco de manifestar dor após a prática esportiva, dobrando as chances de sentir desconforto em regiões previamente afetadas por tendinopatias, lesões musculares ou articulares.

A evidência de que a genética atua junto a fatores ambientais, técnicos e de treinamento permite que a análise do perfil genético, somada a dados clínicos como sexo, idade e carga de treino, identifique atletas com maior predisposição a lesões. Essa abordagem possibilita a criação de estratégias personalizadas de cuidado e prevenção, substituindo a tentativa e erro por guias preventivos que otimizam a recuperação e individualizam a rotina de treinos.

A aplicação desse conhecimento visa prolongar a vida útil dos atletas e garantir carreiras mais seguras, auxiliando o esportista a distinguir a dor natural do esforço físico daquela que indica um limite perigoso. O estudo contou com financiamento da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa da Faperj e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Nível Superior (Capes).

Notícias Relacionadas