Ciência

Estudo da Universidade de Michigan descarta a existência de planeta gigante no sistema 70 Ofiuco

06 de Outubro de 2026 às 06:29 3 min de leitura

Pesquisadores da Universidade de Michigan descartaram a existência de um planeta gigante no sistema estelar 70 Ofiuco, refutando uma hipótese de 1855. O estudo, publicado no Astrophysical Journal, utilizou medições de velocidade radial e dados de telescópios para analisar a órbita do sistema binário. A análise excluiu corpos com massa igual ou superior à de Júpiter em regiões específicas das estrelas

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Estudo da Universidade de Michigan descarta a existência de planeta gigante no sistema 70 Ofiuco
US Navy Observatory

Um mistério astronômico que perdura há 171 anos foi solucionado por pesquisadores da Universidade de Michigan. Um estudo publicado no Astrophysical Journal descartou a existência de um planeta gigante no sistema estelar 70 Ofiuco, localizado a aproximadamente 16 anos-luz da Terra. A descoberta encerra uma hipótese formulada ainda no século XIX sobre a composição desse sistema binário.

O precursor da busca por exoplanetas

A investigação remonta a 1855, quando o astrônomo britânico William Jacob observou irregularidades na órbita das duas estrelas que compõem o sistema. Na época, a incapacidade de reproduzir as posições estelares através dos modelos matemáticos levou Jacob a questionar a universalidade da lei da gravitação de Newton.

Para explicar as perturbações no movimento das estrelas, Jacob propôs a existência de um terceiro corpo invisível: um planeta gigante com órbita de cerca de 26 anos. Essa análise é reconhecida como a primeira tentativa histórica de deduzir a presença de um exoplaneta com base em alterações gravitacionais, antecipando em décadas a metodologia da astronomia moderna.

Metodologia e novas medições

Para validar a hipótese centenária, a equipe liderada pela Universidade de Michigan compilou dados de um século de observações, integrando-os a medições recentes realizadas entre 2023 e 2025. O levantamento utilizou instrumentos de alta precisão, como o telescópio Magellan Clay, de 6,5 metros, situado no Chile, e o Harlan J. Smith, de 2,7 metros, no Texas.

O estudo focou na análise da velocidade radial — o movimento de aproximação ou afastamento das estrelas em relação à Terra — para identificar eventuais "bamboleios" gravitacionais. A amostra consistiu em 499 medições da estrela 70 Oph A e 334 da 70 Oph B.

Atividade estelar versus gravidade

A análise técnica permitiu diferenciar a influência de um possível planeta da atividade natural das estrelas. Os pesquisadores determinaram que as variações de curto período observadas são causadas pela rotação e por fenômenos na superfície estelar, e não pela atração de um corpo massivo.

Com esses dados, a equipe descartou a presença de planetas com massa igual ou superior à de Júpiter nas seguintes regiões:

  • Até cinco unidades astronômicas de 70 Oph A;
  • Até meia unidade astronômica de 70 Oph B.

Yiting Li, pesquisadora pós-doutoral da Universidade de Michigan, afirmou que, embora a ausência de um gigante gasoso seja decepcionante, o resultado abre um novo capítulo para o sistema.

Perspectivas para o sistema 70 Ofiuco

Apesar de refutar a teoria de 1855, o estudo não exclui a existência de outros corpos celestes. A sensibilidade da pesquisa atual não descarta a presença de planetas rochosos ou mundos com massa similar à de Saturno.

O trabalho estabelece um limite superior de massa, mantendo o sistema 70 Ofiuco como um alvo prioritário para futuras observações que busquem detectar planetas menores e mais complexos de identificar.

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