Estudo da Universidade de Michigan descarta a existência de planeta gigante no sistema 70 Ofiuco
Pesquisadores da Universidade de Michigan descartaram a existência de um planeta gigante no sistema estelar 70 Ofiuco, refutando uma hipótese de 1855. O estudo, publicado no Astrophysical Journal, utilizou medições de velocidade radial e dados de telescópios para analisar a órbita do sistema binário. A análise excluiu corpos com massa igual ou superior à de Júpiter em regiões específicas das estrelas
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Um mistério astronômico que perdura há 171 anos foi solucionado por pesquisadores da Universidade de Michigan. Um estudo publicado no Astrophysical Journal descartou a existência de um planeta gigante no sistema estelar 70 Ofiuco, localizado a aproximadamente 16 anos-luz da Terra. A descoberta encerra uma hipótese formulada ainda no século XIX sobre a composição desse sistema binário.
O precursor da busca por exoplanetas
A investigação remonta a 1855, quando o astrônomo britânico William Jacob observou irregularidades na órbita das duas estrelas que compõem o sistema. Na época, a incapacidade de reproduzir as posições estelares através dos modelos matemáticos levou Jacob a questionar a universalidade da lei da gravitação de Newton.
Para explicar as perturbações no movimento das estrelas, Jacob propôs a existência de um terceiro corpo invisível: um planeta gigante com órbita de cerca de 26 anos. Essa análise é reconhecida como a primeira tentativa histórica de deduzir a presença de um exoplaneta com base em alterações gravitacionais, antecipando em décadas a metodologia da astronomia moderna.
Metodologia e novas medições
Para validar a hipótese centenária, a equipe liderada pela Universidade de Michigan compilou dados de um século de observações, integrando-os a medições recentes realizadas entre 2023 e 2025. O levantamento utilizou instrumentos de alta precisão, como o telescópio Magellan Clay, de 6,5 metros, situado no Chile, e o Harlan J. Smith, de 2,7 metros, no Texas.
O estudo focou na análise da velocidade radial — o movimento de aproximação ou afastamento das estrelas em relação à Terra — para identificar eventuais "bamboleios" gravitacionais. A amostra consistiu em 499 medições da estrela 70 Oph A e 334 da 70 Oph B.
Atividade estelar versus gravidade
A análise técnica permitiu diferenciar a influência de um possível planeta da atividade natural das estrelas. Os pesquisadores determinaram que as variações de curto período observadas são causadas pela rotação e por fenômenos na superfície estelar, e não pela atração de um corpo massivo.
Com esses dados, a equipe descartou a presença de planetas com massa igual ou superior à de Júpiter nas seguintes regiões:
- Até cinco unidades astronômicas de 70 Oph A;
- Até meia unidade astronômica de 70 Oph B.
Yiting Li, pesquisadora pós-doutoral da Universidade de Michigan, afirmou que, embora a ausência de um gigante gasoso seja decepcionante, o resultado abre um novo capítulo para o sistema.
Perspectivas para o sistema 70 Ofiuco
Apesar de refutar a teoria de 1855, o estudo não exclui a existência de outros corpos celestes. A sensibilidade da pesquisa atual não descarta a presença de planetas rochosos ou mundos com massa similar à de Saturno.
O trabalho estabelece um limite superior de massa, mantendo o sistema 70 Ofiuco como um alvo prioritário para futuras observações que busquem detectar planetas menores e mais complexos de identificar.