Ciência

Estudo da USP indica que a perda auditiva acelera a redução das funções cognitivas

16 de Agosto de 2026 às 06:01

Pesquisadores da USP monitoram 805 funcionários para analisar a relação entre perda auditiva, declínio cognitivo e equilíbrio. Resultados preliminares indicam que a redução da audição acelera a perda de funções cognitivas e compromete a estabilidade física. O estudo destaca a proximidade anatômica entre a cóclea e o sistema vestibular

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Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) monitoram 805 funcionários da instituição para analisar a conexão entre a perda auditiva, o declínio cognitivo e a estabilidade do corpo. O estudo, que utiliza audiometrias e testes cognitivos repetidos a cada dois ou três anos, indica que indivíduos com dificuldades auditivas apresentam uma redução mais acelerada das funções cognitivas.

A relação ocorre porque a audição é a porta de entrada de informações para o cérebro. Quando a capacidade de ouvir diminui, o órgão cerebral precisa de maior esforço para interpretar a fala, o que pode prejudicar habilidades de linguagem. Além disso, a perda auditiva pode levar à reorganização cerebral, sobrecarregando outras áreas, e provocar o isolamento social do indivíduo.

Dados de um relatório da revista The Lancet reforçam a gravidade do problema ao estimar que a eliminação da perda auditiva na meia-idade como fator de risco poderia evitar 7% dos casos de demência.

Impactos no equilíbrio e anatomia do ouvido

Uma nova fase da pesquisa da USP investiga a associação entre a audição e o equilíbrio. Resultados preliminares revelaram que 13% dos participantes falharam nos testes de equilíbrio, sendo que o pior desempenho ocorreu em pessoas com perda de audição nas frequências mais altas — as primeiras a serem afetadas pelo envelhecimento.

Essa correlação é explicada pela proximidade anatômica entre a cóclea (responsável pela audição) e o sistema vestibular (responsável pelo equilíbrio). Fatores que danificam a cóclea podem, eventualmente, comprometer a estabilidade física. O impacto é relevante considerando que a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que entre 30% e 40% dos idosos sofram quedas anualmente.

Prevenção e cuidados com a saúde auditiva

O uso de aparelhos auditivos, disponibilizados gratuitamente pelo SUS, é apontado como uma solução para recuperar o acesso aos sons e combater o isolamento social. A avaliação médica precoce é fundamental não apenas para o tratamento, mas para identificar se a dificuldade auditiva mascara outras alterações de saúde.

A OMS alerta que a exposição a volumes excessivos coloca mais de 1 bilhão de pessoas, entre 12 e 35 anos, em risco de danos permanentes. Para prevenir perdas auditivas, as recomendações incluem:

  • Limitar o volume de fones de ouvido a 60% da capacidade;
  • Fazer pausas de cinco a dez minutos a cada hora de uso;
  • Manter períodos de silêncio para descanso dos ouvidos;
  • Utilizar proteção auditiva em locais barulhentos, como festas, shows ou indústrias;
  • Realizar exames regulares.

Uma medida prática para checar o volume dos fones é observar se alguém a um braço de distância consegue ser ouvido por quem está com o aparelho; caso contrário, o volume está excessivo.

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