Estudo da USP indica que a perda auditiva acelera a redução das funções cognitivas
Pesquisadores da USP monitoram 805 funcionários para analisar a relação entre perda auditiva, declínio cognitivo e equilíbrio. Resultados preliminares indicam que a redução da audição acelera a perda de funções cognitivas e compromete a estabilidade física. O estudo destaca a proximidade anatômica entre a cóclea e o sistema vestibular
Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) monitoram 805 funcionários da instituição para analisar a conexão entre a perda auditiva, o declínio cognitivo e a estabilidade do corpo. O estudo, que utiliza audiometrias e testes cognitivos repetidos a cada dois ou três anos, indica que indivíduos com dificuldades auditivas apresentam uma redução mais acelerada das funções cognitivas.
A relação ocorre porque a audição é a porta de entrada de informações para o cérebro. Quando a capacidade de ouvir diminui, o órgão cerebral precisa de maior esforço para interpretar a fala, o que pode prejudicar habilidades de linguagem. Além disso, a perda auditiva pode levar à reorganização cerebral, sobrecarregando outras áreas, e provocar o isolamento social do indivíduo.
Dados de um relatório da revista The Lancet reforçam a gravidade do problema ao estimar que a eliminação da perda auditiva na meia-idade como fator de risco poderia evitar 7% dos casos de demência.
Impactos no equilíbrio e anatomia do ouvido
Uma nova fase da pesquisa da USP investiga a associação entre a audição e o equilíbrio. Resultados preliminares revelaram que 13% dos participantes falharam nos testes de equilíbrio, sendo que o pior desempenho ocorreu em pessoas com perda de audição nas frequências mais altas — as primeiras a serem afetadas pelo envelhecimento.
Essa correlação é explicada pela proximidade anatômica entre a cóclea (responsável pela audição) e o sistema vestibular (responsável pelo equilíbrio). Fatores que danificam a cóclea podem, eventualmente, comprometer a estabilidade física. O impacto é relevante considerando que a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que entre 30% e 40% dos idosos sofram quedas anualmente.
Prevenção e cuidados com a saúde auditiva
O uso de aparelhos auditivos, disponibilizados gratuitamente pelo SUS, é apontado como uma solução para recuperar o acesso aos sons e combater o isolamento social. A avaliação médica precoce é fundamental não apenas para o tratamento, mas para identificar se a dificuldade auditiva mascara outras alterações de saúde.
A OMS alerta que a exposição a volumes excessivos coloca mais de 1 bilhão de pessoas, entre 12 e 35 anos, em risco de danos permanentes. Para prevenir perdas auditivas, as recomendações incluem:
- Limitar o volume de fones de ouvido a 60% da capacidade;
- Fazer pausas de cinco a dez minutos a cada hora de uso;
- Manter períodos de silêncio para descanso dos ouvidos;
- Utilizar proteção auditiva em locais barulhentos, como festas, shows ou indústrias;
- Realizar exames regulares.
Uma medida prática para checar o volume dos fones é observar se alguém a um braço de distância consegue ser ouvido por quem está com o aparelho; caso contrário, o volume está excessivo.