Ciência

Estudo de Cambridge questiona a teoria de que a vida na Terra surgiu de cometas

28 de Outubro de 2026 às 15:00 3 min de leitura

Estudo da Universidade de Cambridge publicado na Scientific Reports contesta a origem da vida na Terra via cometas. Simulações indicam que o calor e a velocidade da queda destruiriam moléculas essenciais, como o cianeto de hidrogênio. A pesquisa sugere que asteroides ou reações terrestres seriam vias mais prováveis para a chegada de compostos orgânicos

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Estudo de Cambridge questiona a teoria de que a vida na Terra surgiu de cometas
urikyo33/Pixabay

Um novo estudo liderado pela Universidade de Cambridge, na Inglaterra, contesta a teoria de que a vida na Terra teria surgido a partir de compostos orgânicos transportados por cometas. A pesquisa, publicada nesta quarta-feira (28) na revista Scientific Reports, indica que a sobrevivência de elementos essenciais, como carbono e nitrogênio, seria improvável devido à alta velocidade e ao calor gerados durante a queda desses corpos celestes na atmosfera terrestre.

Simulações de impacto e moléculas prebióticas

Para testar a viabilidade dessa hipótese, a equipe de pesquisadores utilizou simuladores tecnológicos de impacto, analisando a composição dos cometas e a interação entre os astros. O foco da análise foi o cianeto de hidrogênio (HCN), uma molécula prebiótica comum em cometas do Sistema Solar e fundamental para a formação de blocos básicos da vida.

As simulações revelaram que, mesmo no cenário em que o HCN sobrevivesse à entrada na atmosfera, a quantidade restante seria insuficiente para a criação de outros compostos. Richard Anslow, professor do Instituto de Astronomia de Cambridge e autor principal do estudo, explica que, para que a vida fosse originada por esse processo, as reações químicas precisariam ocorrer imediatamente após o impacto com o solo, antes que a substância desaparecesse.

De acordo com Anslow, a probabilidade de tal evento é extremamente baixa, estimada em uma chance em um milhão, pois exigiria a combinação exata de ângulo, velocidade de impacto, concentração química e rapidez nas reações. Embora não descarte totalmente a possibilidade, o professor classifica a hipótese como um evento raro ou uma coincidência isolada.

Alternativas para a origem da vida

A investigação partiu de uma teoria desenvolvida pela própria equipe em 2023, que sugeria que, em sistemas planetários com órbitas muito próximas, os cometas poderiam desacelerar ao "saltar" entre planetas, liberando moléculas orgânicas no espaço. No entanto, ao aplicar esse modelo ao Sistema Solar, os cientistas constataram que a distância entre as órbitas dos nossos planetas é excessiva para que esse fenômeno ocorresse.

Diante da improbabilidade dos cometas, a pesquisa aponta outras vias possíveis para a chegada de compostos orgânicos:

  • Asteroides: Diferente dos cometas, que são compostos de gelo, poeira e gases, os asteroides são corpos sólidos, rochosos ou metálicos. Eles são atraídos com mais frequência pela órbita da Terra e teriam impactado o planeta mais vezes do que os cometas, que se tornaram escassos após os primeiros 500 milhões de anos da Terra.
  • Origem Terrestre: Existe a possibilidade de que as moléculas orgânicas tenham sido geradas no próprio planeta por meio de reações químicas internas ainda não identificadas.

Implicações para a astronomia

Os achados do estudo auxiliam na busca por vida extraterrestre, especialmente com o uso de tecnologias avançadas como o telescópio James Webb. Ao identificar sistemas planetários onde a dinâmica de "saltos" de cometas entre planetas seja possível, os astrônomos podem restringir e refinar a busca por sinais de vida fora do nosso sistema.

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