Ciência

Estudo desafia ideia tradicional sobre estrutura das florestas europeias ao longo dos últimos 23 milhões de anos

03 de Março de 2026 às 12:09

Um estudo liderado pela Universidade de Aarhus questionou a ideia tradicional da floresta primitiva como uma paisagem densamente arborizada. Análises paleoecológicas que abrangem 23 milhões de anos mostram que as florestas densas são um fenômeno moderno na Europa, enquanto o padrão típico era um mosaico rico em árvores e flores. A gestão da natureza deve priorizar a criação e manutenção desses mosaicos

Um estudo recente liderado pela Universidade de Aarhus questionou a ideia tradicional da floresta primitiva como uma paisagem densamente arborizada e escura. Com base em análises paleoecológicas que abrangem 23 milhões de anos, os pesquisadores concluíram que as florestas densas são um fenômeno moderno na Europa.

A equipe liderada pelo professor Jens-Christian Svenning reuniu evidências de diferentes fontes para reconstruir a estrutura da vegetação e os processos ecológicos do passado. Eles analisaram registros de pólen, macrofósseis de plantas, partículas de carvão vegetal e outros indicadores científicos que forneceram uma visão mais completa dos ambientes europeus ao longo da história.

De acordo com o estudo, a paisagem típica européia durante os últimos 20 milhões de anos foi um mosaico rico em árvores e flores. Esse padrão era mantido pela ação de grandes herbívoros selvagens como elefantes, rinocerontes e bisontes. A presença dessas espécies teria permitido que as paisagens permanecessem abertas e diversificadas.

O estudo também aponta que a Europa atual é ecologicamente atípica em comparação com o passado. Com o desaparecimento dos grandes herbívoros selvagens, os ecossistemas contemporâneos carecem da biodiversidade necessária para manter as paisagens naturais.

Os pesquisadores indicam que a gestão da natureza e da biodiversidade na Europa temperada deve priorizar a criação e manutenção de mosaicos de bosques e habitats abertos. Isso pode ser alcançado, em grande parte, por meio da restauração dos grandes herbívoros vivendo em seus habitats naturais.

A conclusão do estudo é que as práticas atuais de reflorestamento seguem um caminho equivocado. Em vez de plantar florestas densas e uniformes, os esforços de restauração devem priorizar a criação de ambientes abertos e ricos em biodiversidade.

A descoberta apresentada pelo estudo tem implicações diretas para a gestão da natureza na Europa temperada. Ao questionar a ideia tradicional da floresta primitiva, os pesquisadores oferecem uma visão mais precisa dos ambientes naturais do continente e sugerem novas estratégias para restaurar a biodiversidade perdida.

A combinação de evidências paleoecológicas ao longo de 23 milhões de anos permitiu aos científicos avaliar se as paisagens eram dominadas por florestas densas, campos abertos ou uma mistura. A conclusão apresentada é que a paisagem típica europeia foi um mosaico rico em árvores e flores.

A restauração de grandes herbívoros vivendo em seus habitats naturais pode ser o caminho mais eficaz para alcançar os objetivos de biodiversidade. Isso não apenas manterá a integridade dos ecossistemas, mas também permitirá que as espécies europeias evoluam ao longo de milhões de anos.

Os pesquisadores indicaram ainda que diversas espécies hoje associadas a paisagens culturais podem ter raízes evolutivas nos antigos sistemas de bosques abertos. Entre elas estão cotovias, gralhas e o hamster europeu.

A divisão nítida entre floresta e habitats abertos é uma construção recente. A gestão da natureza na Europa temperada deve priorizar a criação e manutenção de mosaicos de bosques e habitats abertos.

Com informações de Click Petróleo e Gás

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