Ciência

Estudo descarta origem espacial de diamantes pretos raros encontrados no Brasil e na África

06 de Outubro de 2026 às 06:36 2 min de leitura

Pesquisadores descartaram a hipótese de origem espacial do carboneto, diamante preto encontrado no Brasil e na África Central. O estudo indica que a pedra surgiu da subducção de matéria orgânica antiga para o manto terrestre. A superfície vítrea do mineral teria sido formada por fluidos em modificações tardias

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Estudo descarta origem espacial de diamantes pretos raros encontrados no Brasil e na África
James St. John/Wikimedia Commons/CC BY 2.0

Pesquisadores analisaram a origem do carboneto, uma variedade rara de diamante preto encontrada no Brasil e na África Central, para compreender a formação dessas pedras porosas. O estudo, publicado na revista Gondwana Research, focou em amostras da formação Tombador, que revelam uma massa compacta de minúsculos cristais de diamante quando quebradas.

A natureza do carboneto

Diferente dos diamantes transparentes, o carboneto possui múltiplos cristais, minerais aprisionados e diversos poros em cada fragmento. Devido à sua superfície lisa e brilhante, cogitou-se anteriormente que a origem dessas pedras estivesse ligada a impactos espaciais.

Para investigar essa hipótese, Attila Demény, Péter Németh e sua equipe utilizaram escaneamento de raios X, microscopia eletrônica e análises de carbono. O objetivo era decifrar a natureza da camada vítrea superficial, que lembrava a crosta fundida de meteoritos após a passagem pela atmosfera terrestre.

Descarte da hipótese de impacto

O exame microscópico refutou a teoria de que um impacto teria fundido o diamante, pois não foram encontradas as deformações típicas de choques. Os cristais comuns permaneciam preservados até a superfície.

A análise revelou que algumas amostras possuíam uma fina camada de anatase (dióxido de titânio). Como o acabamento liso cobria tanto o diamante quanto esse mineral, concluiu-se que a superfície vítrea se formou após a precipitação mineral. A explicação provável é que fluidos tenham dissolvido parte do diamante e de sua cobertura, alisando os materiais em uma modificação tardia, e não durante o processo de origem da pedra.

Origem orgânica e subducção

A análise de carbono indicou que as proporções isotópicas do carboneto são semelhantes às de matéria orgânica antiga. Para que esse material se transformasse em diamante, precisaria ter atingido grandes profundidades terrestres.

A teoria proposta indica que isso ocorreu via subducção rápida. Esse processo teria sido impulsionado por uma grande colisão na Terra primitiva, levando sedimentos orgânicos ao manto terrestre. Sob pressões extremas, o carbono foi transformado em diamante, mantendo a porosidade devido à velocidade da descida. Posteriormente, o magma transportou esses fragmentos para camadas menos profundas, onde a erosão os depositou em sedimentos.

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