Ciência

Estudo detecta 245 terremotos glaciais no glaciar Thwaites na Antártida

02 de Setembro de 2026 às 18:06 3 min de leitura

Pesquisadores identificaram 245 terremotos glaciais no glaciar Thwaites, na Antártida, por meio de estações sísmicas locais entre 2010 e 2023. Os eventos, causados pelo desprendimento e impacto de blocos de gelo, tiveram pico de atividade entre 2018 e 2020. O estudo também registrou vibrações no glaciar Pine Island

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Estudo detecta 245 terremotos glaciais no glaciar Thwaites na Antártida
ESA/Copernicus

A detecção de 245 terremotos glaciais no glaciar Thwaites, na Antártida, revelou novos dados sobre a instabilidade de uma das regiões mais sensíveis do continente. O estudo identificou centenas de sinais sísmicos que permaneceram invisíveis por anos, sugerindo que esses eventos estão ligados ao derretimento do gelo e sua interação com o oceano e o solo.

Monitoramento e detecção sísmica

Para alcançar esses resultados, a pesquisa utilizou estações sísmicas instaladas localmente na Antártida, analisando dados coletados entre 2010 e 2023. Essa abordagem permitiu captar vibrações sutis que as redes de vigilância globais não conseguem registrar. Ao todo, foram identificados mais de 360 eventos sísmicos glaciares, a maioria inédita, concentrados principalmente nos glaciares Pine Island e Thwaites, áreas com forte impacto no aumento do nível do mar.

No glaciar Thwaites, apelidado de "glaciar do Juízo Final", ocorreram 245 desses eventos, representando cerca de dois terços do total estudado. Diferente dos sismos tectônicos, essas vibrações são causadas pelo desprendimento de grandes blocos de gelo da frente do glaciar que, ao caírem no oceano, inclinam-se ou tombam, atingindo violentamente a massa de gelo original.

Dinâmica do gelo e assinatura sísmica

Esses fenômenos possuem uma assinatura sísmica específica, desprovida das ondas de alta frequência típicas de erupções vulcânicas, explosões ou terremotos convencionais, o que dificultou a detecção prévia. A propagação dessas ondas ocorre a partir da dinâmica do próprio gelo, quando icebergs altos e estreitos se soltam e impactam a face do glaciar.

A análise temporal revelou que o comportamento do glaciar Thwaites difere do observado na Groenlândia, onde a atividade é sazonal e intensifica-se no fim do verão. Na Antártida, o pico de atividade sísmica registrado entre 2018 e 2020 coincidiu com a aceleração do deslocamento da língua de gelo em direção ao mar, movimento este também confirmado por imagens de satélite.

Impactos na estabilidade antártica

Embora o mecanismo exato ainda seja estudado, a aceleração do gelo pode estar vinculada a condições oceânicas específicas. Isso posiciona os terremotos glaciais como indicadores de mudanças em escalas de tempo curtas, fator crítico para a precisão das previsões sobre o nível do mar global nos próximos séculos.

Além do Thwaites, o estudo registrou um segundo grupo de eventos no glaciar Pine Island. No entanto, esses sinais foram detectados a uma distância de 60 a 80 km da frente marítima, o que descarta a queda de icebergs como causa e demanda novas investigações para determinar a origem dessas vibrações.

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