Estudo do MIT indica que uso do ChatGPT reduz conectividade cerebral e desempenho de estudantes
Acordos da Meta com estados dos EUA e estudos científicos discutem a relação entre dispositivos eletrônicos e a saúde mental de jovens. Pesquisas indicam que o uso problemático da internet afeta 11% dos adolescentes, enquanto o uso do ChatGPT reduziu a conectividade cerebral e o desempenho de estudantes em teste do MIT. Especialistas defendem políticas públicas baseadas em dados empíricos para equilibrar o tempo de tela e a educação tecnológica
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A recente negociação multimilionária da Meta com diversos estados dos EUA, visando evitar condenações judiciais, trouxe novamente ao centro do debate os impactos dos dispositivos eletrônicos na saúde mental de jovens. Embora a discussão seja frequente em redes sociais e na mídia, muitas vezes baseia-se em percepções subjetivas, negligenciando metanálises — estudos que analisam estatisticamente múltiplos dados para chegar a conclusões mais robustas do que pesquisas isoladas.
Impactos comprovados e riscos comportamentais
Processos judiciais nos Estados Unidos já comprovaram que redes sociais implementaram mecanismos que causaram problemas graves a jovens, incluindo casos de suicídio. No ambiente escolar, o uso excessivo de smartphones e tablets deteriorou a disciplina e afetou a vida pessoal dos alunos, expondo-os a pressões psicológicas e ao cyberbullying.
A literatura científica já identifica o uso problemático da internet (UPI), fenômeno que abrange desde o vício em jogos e apostas até a automedicação e a confiança excessiva em influenciadores. Atualmente, estima-se que essa condição afete cerca de 11% dos adolescentes, com um crescimento mais acentuado entre as meninas.
Correlações e a saúde mental
A evidência científica sugere que o uso de tecnologia na educação pode ser positivo, mas torna-se prejudicial à memória e ao aprendizado quando vira fonte de distração. Esse impacto varia conforme a idade, o sexo, o nível socioeconômico e a região geográfica, sendo menos expressivo na América do Norte e Europa do que na Ásia e África.
Sobre a saúde mental, os estudos apresentam resultados divergentes:
- Uma metanálise de Samantha Teague indica uma correlação modesta, porém consistente, entre o uso de mídias digitais e o declínio da saúde mental (ansiedade, depressão e menor autoestima), embora não estabeleça causalidade, sugerindo que a má saúde mental pode ser a causa do uso excessivo.
- Pesquisadores como Amy Orben e Chris Ferguson argumentam que os efeitos são mínimos, podendo ser apenas ruídos metodológicos.
- Já a metanálise de Jeff Hancock (2022) aponta um efeito negativo moderado no bem-estar e na solidão, alertando para a variabilidade dos dados.
O impacto da Inteligência Artificial no cérebro
Enquanto os estudos sobre a IA ainda são limitados, uma pesquisa de 2025 do Media Lab do MIT trouxe dados relevantes. O estudo monitorou a atividade cerebral via eletroencefalograma de 54 estudantes que escreveram ensaios utilizando ChatGPT, Google ou nenhum recurso eletrônico.
Os resultados mostraram que quem utilizou o ChatGPT apresentou menor conectividade cerebral e desempenho inferior nos níveis comportamental, linguístico e neuronal. Os usuários demonstraram maior preguiça intelectual, menor senso crítico e maior dificuldade em lembrar o conteúdo produzido, resultando em textos mais homogêneos.
Desafios para políticas públicas
Diante de evidências que muitas vezes mostram correlação e não causalidade, especialistas como Sonia Livingstone e Kim Sylwander alertam que restrições rígidas baseadas apenas na idade podem limitar oportunidades educacionais.
O desafio reside em equilibrar a redução do tempo de tela com a necessidade de ensinar o uso correto da Inteligência Artificial, competência essencial para a formação universitária e profissional. A ciência indica que a erradicação total dessas ferramentas na educação pode ser contraproducente, sendo necessário fundamentar políticas públicas em dados empíricos e não em visões catastróficas.