Estudo global revela que a prática da gratidão melhora o bem-estar e as relações sociais
Estudo da revista PNAS com 10 mil pessoas de 34 países, incluindo o Brasil, indica que a gratidão melhora o bem-estar, o humor e as relações sociais. O envio de mensagens de agradecimento teve maior eficácia, enquanto a elaboração de listas apresentou o menor impacto. Os resultados variaram por cultura, com maior efeito no México e quase nulo na Noruega
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Um estudo global publicado na revista científica PNAS revelou que a prática da gratidão gera impactos positivos imediatos no bem-estar, no humor e na qualidade das relações sociais. A pesquisa, que envolveu mais de 10 mil participantes de 34 países, incluindo o Brasil, identificou que essas ações elevam o otimismo e a satisfação com a vida, além de reduzirem a sensação de inveja.
Métodos de estímulo e eficácia
Para mensurar a saúde psicológica, a investigação testou seis intervenções distintas:
- Envio de mensagem de agradecimento a alguém;
- Elaboração de uma lista com cinco motivos de gratidão;
- Escrita de uma carta de gratidão sem a etapa de envio;
- Reflexão de Naikan (registro semanal sobre o que foi recebido, o que foi doado e como ajudar mais);
- Registro de cinco eventos positivos do dia anterior, seguido da imaginação de como seria a vida sem eles;
- Escrita de carta a uma entidade espiritual ou força superior.
O maior efeito foi observado no envio de mensagens para terceiros. Em contrapartida, a elaboração de listas de gratidão, embora popular, apresentou o menor impacto. Essa diferença ocorre porque a simples identificação de pontos positivos não induz, necessariamente, a uma reflexão sobre a origem do valor recebido ou sobre quem contribuiu para aquele benefício.
Influência cultural e social
Os resultados demonstram que a eficácia dessas práticas varia conforme a cultura do país. O México registrou o maior impacto positivo, enquanto na Noruega os efeitos foram quase nulos; o Brasil apresentou resultados intermediários.
Essas disparidades podem estar ligadas a fatores como a religiosidade, a distância do poder — referente à aceitação da desigualdade social — e a flexibilidade ou rigidez cultural de cada sociedade. Tais evidências indicam que intervenções psicológicas testadas em um contexto específico não podem ter sua eficácia presumida de forma universal.
Perspectiva evolutiva e a "espiral de ajuda"
Do ponto de vista evolutivo, a gratidão é vista como um mecanismo para identificar parceiros cooperativos e fortalecer vínculos sociais. Esse processo pode gerar a chamada "espiral de ajuda", na qual alguém beneficiado por uma atitude positiva sente-se motivado a auxiliar tanto quem o ajudou quanto outras pessoas.
No entanto, o estudo ressalta que a "espiral de ajuda" é uma teoria e não foi medida experimentalmente nesta pesquisa. O que foi comprovado é que intervenções breves de gratidão alteram estados psicológicos ligados à reciprocidade e às relações sociais.
Como a avaliação dos participantes ocorreu imediatamente após uma única prática, a ciência ainda não determinou a duração desses efeitos. O foco de pesquisas futuras deverá ser a transição de experiências pontuais para formas permanentes de percepção e interação social.