Ciência

Estudo identifica 190 espécies em um dos maiores tubos de lava da Europa em Tenerife

15 de Setembro de 2026 às 18:06 3 min de leitura

A Cueva del Viento, em Tenerife, é um tubo de lava de 18,5 km formado há 27 mil anos. Um estudo na revista Diversity catalogou 190 espécies no local, incluindo 15 inéditas e 44 troglobias. A estrutura preserva vestígios de animais extintos e enterramentos guanches

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Estudo identifica 190 espécies em um dos maiores tubos de lava da Europa em Tenerife
EFE

Uma erupção vulcânica ocorrida há aproximadamente 27 mil anos em Tenerife deu origem à Cueva del Viento, em Icod de los Vinos, um dos maiores tubos de lava da Europa. Com uma extensão total de 18,5 km, a estrutura subterrânea abriga uma biodiversidade singular, com 190 espécies de fungos, animais e plantas catalogadas em estudo publicado na revista científica Diversity por Pedro Oromí e Sergio Socorro.

Formação geológica e estrutura

A cavidade foi gerada por lava basáltica proveniente do Pico Viejo. Durante o deslocamento do material vulcânico para áreas mais baixas, a superfície resfriou em contato com o ar e solidificou, criando uma crosta rígida. Enquanto a camada externa endurecia, a lava interna continuava a fluir até a interrupção total do fluxo, resultando em canais vazios.

Atualmente, o sistema organiza-se em três níveis sobrepostos com galerias interconectadas e sete entradas documentadas. A estrutura compreende as cavidades Piquetes, Breveritas, Sobrado e Belén. O nome da gruta deve-se às correntes de ar geradas por diferenças de temperatura e pressão entre as aberturas externas e o interior. Devido à complexidade do sistema, a conservação e a segurança do local são monitoradas por meio de técnicas geoespaciais e estudos geotécnicos.

Adaptações biológicas e espécies endêmicas

O isolamento e a ausência de luz na Cueva del Viento impulsionaram processos evolutivos específicos. Das espécies identificadas, 44 são classificadas como troglobias — organismos adaptados permanentemente à vida subterrânea. O levantamento revelou 15 espécies anteriormente desconhecidas pela ciência, incluindo os escarabeus Wolltinerfia martini e Domene vulcanica, além da barata cega Loboptera subterranea.

Para sobreviver à escassez de alimento e à escuridão, esses animais desenvolveram características anatômicas distintas:

  • Redução ou perda de pigmentação, asas e olhos;
  • Metabolismo lento para a economia de energia;
  • Aprimoramento sensorial, com antenas altamente sensíveis a estímulos químicos e táteis.

Esse cenário integra um ecossistema maior nas Ilhas Canárias, onde as grutas vulcânicas abrigam cerca de 130 espécies troglobias descritas, muitas delas endêmicas da região.

Registros arqueológicos e exploração

Além da fauna, as galerias preservam evidências históricas e paleontológicas, como materiais subfósseis de animais extintos em Tenerife — a rata gigante Canariomys bravoi e o lagarto gigante Gallotia goliath —, além de vestígios de enterramentos guanches.

Embora a topografia sistemática do local tenha sido iniciada em 1968, o acesso público é restrito a apenas 200 metros do sistema. Os mais de 18 km restantes permanecem preservados como um campo de estudo para a arqueologia, a geologia e a biologia evolutiva.

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