Ciência

Estudo identifica a evidência mais antiga de movimento entre placas tectônicas na Austrália Ocidental

29 de Abril de 2026 às 15:13

Estudo de pesquisadores de Harvard, publicado na revista Science, identificou movimento de placas tectônicas em rochas de 3,5 bilhões de anos na Austrália. A análise de sinais paleomagnéticos revelou que a formação de East Pilbara alterou sua latitude e rotacionou mais de 90°. Os dados indicam deslocamentos de 6 centímetros por ano na litosfera primitiva

Um estudo publicado na revista *Science* em 19 de março de 2026 apresentou a evidência direta mais antiga de movimento relativo entre placas tectônicas. A pesquisa, conduzida por Alec Brenner e Roger Fu, da Universidade Harvard, analisou rochas do Cráton de Pilbara, na Austrália Ocidental, região que abriga algumas das formações geológicas mais antigas e preservadas do planeta.

A investigação utilizou sinais paleomagnéticos em minerais de aproximadamente 3,5 bilhões de anos, que funcionam como registros do campo magnético terrestre da época de sua formação. Por meio desses dados, os pesquisadores reconstruíram o deslocamento de parte da crosta terrestre, observando que a formação de East Pilbara alterou sua latitude de 53° para 77° e realizou uma rotação superior a 90° no sentido horário.

Os resultados indicam que a litosfera jovem já era segmentada em blocos com capacidade de locomoção, com velocidades estimadas em 6 centímetros por ano — marca similar à observada nas placas tectônicas atuais. Esse achado refuta a teoria de que a crosta primitiva seria totalmente rígida e sugere que a dinâmica interna da Terra se organizou muito antes do que era possível comprovar anteriormente.

Embora o estudo não afirme que o sistema de placas tectônicas moderno já estivesse plenamente estabelecido, ele demonstra que processos semelhantes já operavam em um planeta com temperaturas internas mais elevadas e maior fluxo de calor. A descoberta é relevante para a ciência da Terra, onde o debate sobre o início da tectônica de placas varia entre estimativas de menos de 1 bilhão a mais de 4 bilhões de anos, devido à raridade de evidências diretas causada pela reciclagem constante da crosta.

A mobilidade crustal precoce tem implicações diretas na compreensão da habitabilidade do planeta, já que a tectônica de placas é fundamental para a regulação do clima, a reciclagem de nutrientes e a manutenção da atmosfera. A existência desses mecanismos em uma fase tão remota indica que as condições que sustentam a vida podem ter se estabelecido rapidamente.

Além disso, a descoberta fornece um ponto de referência para ajustar simulações sobre a evolução planetária, permitindo revisar hipóteses sobre a formação de oceanos e continentes. O estudo também ressalta a singularidade da Terra no Sistema Solar, visto que planetas como Marte e Vênus não possuem a mesma dinâmica.

A análise das rochas de Pilbara não encerra a discussão científica sobre a cronologia geológica, mas estabelece um novo patamar mínimo para a existência de movimento da crosta, consolidando a região australiana como um arquivo essencial para entender a complexidade e a velocidade de organização dos sistemas naturais da Terra.

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