Ciência

Estudo identifica ancestral gigante de caimãs como predador dominante na América do Sul no Mioceno

30 de Agosto de 2026 às 15:08 2 min de leitura

Pesquisadores da Universidade de Helsinque identificaram o Purussaurus neivensis como o predador dominante na América do Sul durante o Mioceno. A análise de fósseis na Colômbia revelou que o crocodiliano de até 1.800 kg caçava mamíferos herbívoros de grande porte. O estudo foi publicado no *Journal of Vertebrate Paleontology

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Estudo identifica ancestral gigante de caimãs como predador dominante na América do Sul no Mioceno
Miguel Hernández

Pesquisadores da Universidade de Helsinque identificaram evidências diretas de que o Purussaurus neivensis, um ancestral gigante dos caimãs, era o predador dominante nos ecossistemas tropicais da América do Sul durante o Mioceno. O estudo, publicado no Journal of Vertebrate Paleontology, analisou fósseis datados entre 10,5 e 16 milhões de anos para reconstruir a dinâmica de caça da região.

Evidências fósseis e a cadeia alimentar

A descoberta baseou-se na análise de marcas dentais e perfurações encontradas em um fêmur, duas mandíbulas e um crânio parcial de três tipos de ungulados. Os fósseis, localizados no deserto de La Tatacoa, na Colômbia, apresentam lesões cuja morfologia e tamanho coincidem com a dentição do Purussaurus.

Esse crocodiliano podia pesar cerca de 1.800 kg e medir aproximadamente 7 metros de comprimento. Sua robustez permitia atacar mamíferos herbívoros de grande porte, alguns dos quais superavam uma tonelada e possuíam estruturas físicas semelhantes às dos rinocerontes atuais.

Dinâmica de caça e ecossistema

A frequência das marcas nos ossos indica que o Purussaurus desempenhava um papel central na regulação de grandes herbívoros, superando a capacidade de consumo dos predadores mamíferos da época. O cenário geográfico era composto por extensos lagos e abrigava tartarugas gigantes, além de uma vasta diversidade de mamíferos.

O Purussaurus neivensis dividia o território com outros carnívoros, como:

  • Anacondas gigantes;
  • Aves do terror;
  • Mamíferos com dentes de sabre;
  • Sebecos (parentes terrestres dos crocodilianos).

Oscar Wilson, pesquisador da Universidade de Helsinque, destaca que a abundância de presas sustentava essa comunidade de predadores, mas que os crocodilianos eram os agentes mais importantes na caça de animais de grande porte.

Mecanismo de ataque

A análise das feridas sugere que o predador utilizava a proximidade com a água para surpreender as vítimas. A estratégia consistia em agarrar a cabeça do herbívoro com uma mordida poderosa, seguida de movimentos de torção — similares ao "giro da morte" dos crocodilianos modernos — para esmagar ou desmembrar a presa. Os resíduos desses ataques serviam posteriormente de alimento para outros carnívoros do ambiente.

O estudo revela a configuração da fauna sul-americana antes do intercâmbio com a América do Norte, período em que os grandes crocodilianos ocupavam o topo da cadeia alimentar, antes da dominância dos mamíferos carnívoros.

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