Estudo identifica componentes genéticos de risco para o transtorno de personalidade borderline
Estudo publicado na Nature Genetics identificou 11 regiões do genoma e nove genes funcionais associados ao transtorno de personalidade borderline. A análise de dados de ascendência europeia revelou que variantes genéticas explicam cerca de 17% do risco hereditário da condição
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Pesquisadores identificaram as primeiras evidências de que o transtorno de personalidade borderline (TPB) possui componentes genéticos de risco, desafiando a percepção anterior de que a condição estaria ligada exclusivamente a fatores ambientais. O estudo, publicado na revista Nature Genetics, representa a maior análise genética já realizada sobre o tema.
O transtorno de personalidade borderline é uma condição psiquiátrica marcada por impulsividade, medo intenso de abandono e instabilidade em comportamentos, emoções e relações interpessoais, manifestando-se geralmente no início da fase adulta.
Metodologia e descobertas genéticas
Para investigar a influência hereditária, a equipe científica compilou dados de 27 estudos distintos, utilizando bancos de saúde e genéticos de larga escala com participantes de ascendência europeia. O processo consistiu em buscar variações no DNA que fossem mais frequentes em indivíduos diagnosticados com o transtorno do que em pessoas sem a condição.
A análise ocorreu em etapas:
- Primeira fase: O DNA de 12.339 pessoas com TPB foi comparado ao de mais de 1 milhão de indivíduos sem o transtorno, resultando na identificação de seis regiões do genoma associadas à condição.
- Segunda fase: Para validar os dados, a análise foi repetida com 685 pacientes e mais de 107 mil pessoas sem o diagnóstico, confirmando as seis regiões iniciais.
- Consolidação: Ao integrar os dados de ambas as etapas, os cientistas localizaram mais cinco regiões, totalizando 11 locais no genoma humano vinculados ao transtorno. Dentro ou próximas a essas áreas, foram detectados nove genes funcionais.
Correlações com outras condições mentais
A pesquisa revelou que algumas variantes genéticas do TPB também estão presentes em quadros de comportamento antissocial, depressão e transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH). A associação mais expressiva, contudo, foi observada com o transtorno de estresse pós-traumático, sugerindo um vínculo entre a vivência de traumas e as dificuldades de identidade características do borderline.
Impacto no diagnóstico e limitações
Os dados indicam que as variantes genéticas identificadas explicam aproximadamente 17% do risco hereditário para o desenvolvimento do transtorno. Esse achado é considerado um avanço para viabilizar diagnósticos mais precoces, especialmente porque o TPB é frequentemente confundido com outras patologias de saúde mental.
Apesar da relevância, a descoberta possui limites claros. A genética não explica a condição isoladamente e uma pontuação de risco elevada não é suficiente para prever se um indivíduo desenvolverá o transtorno. Por essa razão, os pesquisadores ressaltam que o estudo não viabiliza, no momento, a implementação de testes genéticos para fins de diagnóstico.