Ciência

Estudo identifica Polar-IM como o candidato a objeto interestelar mais sólido registrado pela NASA

04 de Junho de 2026 às 07:01

Estudo identificou o Polar-IM como um objeto interestelar detectado em 1º de abril de 2026 sobre o Oceano Atlântico Sul. O corpo de 150 quilogramas atingiu velocidade heliocêntrica de 51,73 km/s, superando a velocidade de escape do sistema solar. A confiança estatística da origem interestelar é superior a 99,9997%

Estudo identifica Polar-IM como o candidato a objeto interestelar mais sólido registrado pela NASA
IA/Novaceno

Um novo estudo identificou o Polar-IM como o candidato a objeto interestelar mais sólido já registrado na base de dados do Centro de Estudos de Objetos Próximos à Terra (CNEOS), da NASA. A análise, conduzida por pesquisadores e fundamentada em metodologias de estudos anteriores sobre meteoros interestelares, aponta que o objeto não possui vínculo gravitacional com o sistema solar.

O evento ocorreu em 1º de abril de 2026, às 02:13:14 UTC, com detecção na latitude −41,9° e longitude −54,7°, em uma altitude de 90,5 quilômetros sobre o Oceano Atlântico Sul, a leste da Argentina. O que chamou a atenção dos pesquisadores foi a alta velocidade polar de 59,8 quilômetros por segundo, valor significativamente superior à velocidade de escape local do sistema solar, que é de 42,14 quilômetros por segundo.

Para validar a origem do objeto, os cientistas converteram o vetor de velocidade registrado em relação à Terra (+3,6, −34,6, +59,8 km/s) para um estado geocêntrico inercial. O cálculo considerou a aceleração gravitacional terrestre por meio de um modelo hiperbólico de dois corpos e integrou a velocidade heliocêntrica da Terra, via JPL Horizons. O resultado indicou uma velocidade heliocêntrica total de 51,73 quilômetros por segundo, com um excesso de 30,00 quilômetros por segundo e um ângulo de inclinação de 89,4 graus. A componente de velocidade final na direção polar, de +47,09 quilômetros por segundo, superou a velocidade de escape solar local.

A precisão da descoberta foi testada por meio de um milhão de simulações de Monte Carlo, utilizando o modelo de erro empírico de baixa discrepância do CNEOS. Como nenhuma das simulações resultou em uma órbita heliocêntrica ligada, a confiança estatística de que o Polar-IM é de origem interestelar é superior a 99,9997%, correspondendo a uma relação margem-dispersão de 12,82-σ.

Com diâmetro aproximado de meio metro e massa de cerca de 150 quilogramas, o Polar-IM liberou uma energia de impacto modesta, estimada em 0,086 kilotones de TNT. Devido à altitude elevada da detecção e à baixa energia, a recuperação de fragmentos é considerada mais complexa do que em casos anteriores, como o do meteoro interestelar IM1 em 2014. Existe a possibilidade de o objeto ter se fragmentado em camadas altas da atmosfera, o que exigiria o cálculo de uma elipse de queda para viabilizar qualquer busca por material.

A descoberta corrobora modelos populacionais que preveem a entrada frequente de corpos interestelares de pequeno porte no sistema solar interno, semelhantes aos objetos 1I/'Oumuamua, 2I/Borisov e 3I/ATLAS. Embora esses corpos menores geralmente escapem da detecção telescópica, eles se tornam visíveis como bolas de fogo ao entrarem em fricção com a atmosfera terrestre.

O próximo passo da pesquisa consiste em uma reconstrução técnica para refinar o vetor de velocidade de entrada e integrar a trajetória a um modelo detalhado da Terra, Lua e Sol. Os pesquisadores buscam produzir evidências sobre a inflação de incertezas e, se justificado, modelar a fragmentação e a deriva do vento para estimar a área de queda. Para a validação independente do achado, são procurados registros de observações ópticas, sísmicas, de infrassom, via satélite ou de redes regionais de meteoros ocorridos no momento exato do evento.

O estudo do Polar-IM surge em um contexto de monitoramento constante de objetos espaciais, como ocorreu em 30 de maio de 2026, quando um meteoro de 1,6 metros de diâmetro e 6 toneladas de massa explodiu sobre Boston às 14h06 (horário da costa leste). Naquela ocasião, o impacto liberou 1,1 kilotones de TNT — cerca de 7% da energia da bomba de Hiroshima — com fragmentos que provavelmente caíram na baía de Cape Cod.

Com informações de El Confidencial

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