Estudo identifica que a disfunção metabólica conecta hábitos de vida à perda auditiva
Pesquisadores da Universidade Fudan identificaram a disfunção metabólica como a ligação entre hábitos de vida e a perda auditiva em um estudo com 441.844 participantes. Paralelamente, a pesquisa HörGeist revelou que 77% das pessoas com deficiência intelectual e perda auditiva não possuem diagnóstico especializado
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A deficiência auditiva consolidou-se como a terceira maior causa de incapacidade entre distúrbios sensoriais no mundo, apresentando um crescimento notável em pessoas de meia-idade e jovens adultos. No grupo de idosos, a surdez é identificada como o principal fator modificável capaz de acelerar o declínio cognitivo, embora o estigma social associado aos aparelhos auditivos ainda resulte na recusa ou no adiamento do tratamento.
O impacto do metabolismo na audição
Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Fudan, na China, identificou que a disfunção metabólica é o elo biológico que conecta os hábitos de vida à saúde do sistema auditivo. A análise envolveu 441.844 participantes do UK Biobank, com idades entre 40 e 69 anos, monitorados por uma média de 14,22 anos. Durante esse intervalo, foram contabilizados 20.743 novos casos de perda auditiva.
Para a pesquisa, foi estabelecida uma pontuação de estilo de vida baseada em sete pilares:
- Atividade física;
- Duração do sono;
- Consumo de álcool;
- Tabagismo;
- Tempo sedentário;
- Engajamento social;
- Uso de suplementos alimentares.
Os resultados indicam que o tabagismo prejudica a audição através de alterações metabólicas e inflamatórias. Em contrapartida, a prática de exercícios e a qualidade do sono protegem o organismo ao otimizar a sensibilidade à insulina, equilibrar o perfil lipídico e reduzir a gordura corporal. Esses fatores preservam a microcirculação da cóclea e diminuem o estresse oxidativo nas células ciliadas.
Barreiras no diagnóstico de pessoas com deficiência intelectual
A vulnerabilidade à perda auditiva é significativamente maior em indivíduos com deficiência intelectual, que apresentam um risco de cinco a dez vezes superior ao da população geral. Apesar disso, a probabilidade de subdiagnóstico e a ausência de tratamento adequado são elevadas.
O estudo HörGeist, realizado na Alemanha, investigou a viabilidade de programas de mitigação e as barreiras para o tratamento desse grupo. Entre 1.053 participantes, 44% possuíam perda auditiva, mas 77% desses casos nunca haviam sido diagnosticados por especialistas.
Mesmo quando houve a recomendação para o uso de equipamentos auditivos, que ocorreu em 27% do grupo, a adesão real foi de apenas 37%. Essa baixa taxa é atribuída à resistência de pacientes e cuidadores, evidenciando a necessidade de maior conscientização sobre como a surdez não tratada impacta a saúde cognitiva.