Ciência

Estudo indica que a Lua pode ter se formado em apenas cinco horas após colisão

06 de Setembro de 2026 às 07:12 2 min de leitura

Simulações do Southwest Research Institute e da Universidade de Arizona indicam que a Lua pode ter se formado em cinco horas. O estudo aponta que a temperatura e a resistência geológica dos corpos influenciaram a velocidade da colisão entre a Terra e *Theia

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Estudo indica que a Lua pode ter se formado em apenas cinco horas após colisão
Southwest Research Institute

Simulações avançadas realizadas pelo Southwest Research Institute (SwRI) e pela Universidade de Arizona indicam que a formação da Lua pode ter ocorrido de maneira mais rápida e violenta do que previam os modelos clássicos. O estudo, publicado no Astrophysical Journal Letters, revisou a hipótese do grande impacto, sugerindo que a temperatura e a resistência geológica dos corpos envolvidos são fatores determinantes para o resultado da colisão.

A influência da geologia e temperatura

A teoria tradicional propõe que a Terra primitiva foi atingida por Theia, um objeto com dimensões semelhantes às de Marte, resultando em um disco de destroços que, gradualmente, teria dado origem ao satélite. No entanto, a nova pesquisa introduziu a resistência geológica dos materiais e sua variação conforme a temperatura nas simulações.

A pesquisadora pós-doutoral do SwRI, Adeene Denton, observou que a geologia pré-existente da proto-Lua é fundamental. A análise demonstra que corpos celestes mais quentes possuem menor resistência do que corpos frios, o que altera drasticamente a dinâmica do impacto:

  • Cenários de alta resistência: Resultam na destruição de Theia e na criação de um vasto disco de detritos.
  • Cenários de baixa resistência: Permitem que a Lua surja praticamente completa logo após a colisão.

Formação acelerada do satélite

Ao replicar parâmetros de temperatura e estruturas semelhantes aos modelos originais do grande impacto, a equipe constatou que uma Lua intacta poderia ter se formado em aproximadamente cinco horas. Esse achado questiona a premissa de que o satélite precisou de um longo período de acumulação de matéria a partir de um disco de destroços para se consolidar.

Embora simulações anteriores já tenham sugerido a possibilidade de luas intactas, este estudo é o primeiro a apontar que a relação entre a temperatura e a resistência dos materiais define se o processo foi imediato ou gradual. Como os protoplanetas resfriam progressivamente após o nascimento, essa variável pode ajudar a precisar a data do evento que originou o sistema Terra-Lua.

Conexões físicas e lacunas científicas

Robin Canup, vice-presidente da Divisão de Ciência e Exploração do Sistema Solar do SwRI, afirma que esses dados podem vincular as propriedades físicas atuais da Lua, como o seu conteúdo de voláteis, ao estado térmico da Terra e de Theia durante o impacto. Apesar dos avanços, o modelo ainda não resolve a questão de por que a composição química da Terra e da Lua é tão similar.

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