Ciência

Estudo indica que ancestrais humanos tiveram saltos de crescimento em vez de evolução linear

30 de Junho de 2026 às 06:28

Pesquisadores das universidades de Oxford e Reading analisaram 386 fósseis e identificaram que o aumento do tamanho corporal dos hominídeos ocorreu por saltos irregulares. O crescimento mais significativo aconteceu com a emergência de espécies como Homo erectus/ergaster e *Homo rudolfensis

Estudo indica que ancestrais humanos tiveram saltos de crescimento em vez de evolução linear
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A análise de 386 fósseis de 21 espécies de hominídeos, publicada na revista PNAS, identificou que o aumento do tamanho corporal dos ancestrais humanos não ocorreu de maneira linear, mas sim por meio de saltos específicos e trajetórias irregulares. O estudo, conduzido por pesquisadores das universidades de Oxford e Reading, indica que a mudança mais significativa de massa corporal aconteceu com a emergência de espécies como *Homo erectus/ergaster* e *Homo rudolfensis*.

Enquanto os *Australopithecus* apresentavam, em média, 40 kg e estatura semelhante à de crianças, representantes posteriores do gênero *Homo* atingiram marcas superiores a 60 kg, aproximando-se da massa corporal de humanos contemporâneos. Para chegar a essa conclusão, a equipe testou 1.000 modelos estatísticos. Os dados revelaram que a hipótese de um crescimento brusco após o *Homo habilis* explica a tendência de massa corporal com 11% mais precisão do que modelos baseados em aumentos graduais.

Esse "estirão" evolutivo coincidiu com transformações comportamentais e fisiológicas. Os primeiros humanos do gênero *Homo* desenvolveram uma locomoção bípede mais eficiente, expandiram a exploração de territórios e diversificaram a dieta com maior consumo de carne. O aumento do porte físico teria sido fundamental para suportar deslocamentos longos, ampliar a resistência e viabilizar a adaptação a ambientes abertos.

A pesquisa ressalta que a evolução do tamanho não seguiu uma progressão única para todas as linhagens. Espécies como *Homo naledi* e *Homo floresiensis* mantiveram dimensões reduzidas, evidenciando que diferentes ramos da árvore genealógica humana seguiram caminhos distintos, independentemente do salto de crescimento observado no tronco principal do gênero. A metodologia do estudo buscou superar a fragmentação comum em registros fósseis ao analisar o conjunto de dados de forma integrada, incorporando as incertezas anatômicas inerentes às estimativas de massa baseadas em dentes e ossos.

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