Ciência

Estudo indica que Archaeopteryx utilizava saltos sucessivos para conseguir decolar do solo

12 de Setembro de 2026 às 06:00 3 min de leitura

Pesquisadores da Universidade de Southampton indicam que o Archaeopteryx utilizava saltos sucessivos para decolar do solo. A análise anatômica revela que a propulsão inicial provinha dos membros posteriores, permitindo manter a velocidade de 7 metros por segundo no ar

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Estudo indica que Archaeopteryx utilizava saltos sucessivos para conseguir decolar do solo
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Um estudo recente conduzido por pesquisadores da Universidade de Southampton propõe que o Archaeopteryx, espécie considerada a linhagem mais antiga de aves conhecida, utilizava saltos sucessivos para conseguir decolar do solo. A análise comparativa entre a anatomia desse fóssil e a de aves contemporâneas indica que a força necessária para a ascensão era gerada pelos membros posteriores, e não primariamente pelas asas.

A mecânica da decolagem primitiva

Diferente das aves modernas, que realizam saltos explosivos únicos para iniciar o voo, o Archaeopteryx possuía limitações físicas significativas. A espécie não apresentava o esterno com quilha, estrutura essencial para a fixação de músculos potentes, e tinha a incapacidade de elevar as asas acima da linha horizontal, o que resultava em músculos de voo relativamente fracos.

Diante dessas limitações, a pesquisa demonstrou que o animal poderia levantar voo ao realizar dois ou três saltos para a frente. Uma vez no ar, o batimento das asas seria suficiente para manter uma velocidade de voo de 7 metros por segundo.

Metodologia e evidências biológicas

Para chegar a essa conclusão, a equipe de cientistas, que incluiu o professor Neil J. Gostling e o especialista em biomecânica Markus Heller, analisou o comportamento de decolagem de diversas aves atuais, como corvos, estorninhos, pombas e tentilhões.

O grupo utilizou tomografias computadorizadas para observar a articulação óssea e placas de força conectadas a computadores Raspberry Pi para medir a potência gerada pelas patas durante a decolagem. Os dados confirmaram que as aves modernas utilizam as pernas como a principal fonte de propulsão inicial.

Essa característica é herdada dos dinossauros terópodes, ancestrais das aves, que possuíam patas poderosas. A capacidade de saltar teria sido uma vantagem evolutiva crucial para a sobrevivência, permitindo que esses animais escapassem de predadores ao combinar o impulso das pernas com batidas de asas emplumadas para prolongar o salto.

O elo entre dinossauros e aves

Descoberto em rochas jurássicas na Alemanha, o fóssil do Archaeopteryx data de 150 milhões de anos. A espécie é classificada como uma forma de transição, pois apresenta características híbridas: embora possuísse penas e asas, mantinha traços típicos de dinossauros, como dentes em uma mandíbula sem bico, garras em dedos separados e uma longa cauda óssea.

A existência de fósseis que conectam grandes grupos de animais havia sido prevista por Charles Darwin em 1859, na obra A Origem das Espécies. Pouco tempo após a publicação, a descoberta de penas e, posteriormente, de um esqueleto completo de Archaeopteryx confirmou a ligação evolutiva entre dinossauros não avianos e as aves.

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