Ciência

Estudo indica que caldeira vulcânica no Japão apresenta sinais de reabastecimento de magma

09 de Abril de 2026 às 18:25

Um estudo publicado na revista Communications Earth & Environment identificou a reinjeção de magma no reservatório da caldeira Kikai, em Kagoshima, Japão. A pesquisa utilizou sismógrafos e canhões de ar para monitorar a estrutura vulcânica, que já registrou a erupção de Akahoya há 7.300 anos

A caldeira Kikai, sistema vulcânico localizado nas Ilhas Ōsumi, província de Kagoshima, no Japão, apresenta sinais de reabastecimento de magma em seu reservatório subterrâneo. O estudo, publicado na revista Communications Earth & Environment, indica que o material presente sob a cúpula de lava é recém-injetado, o que agrava a instabilidade de uma das estruturas vulcânicas mais preocupantes do mundo.

A caldeira, que possui 19 quilômetros de diâmetro e permanece majoritariamente submersa ao sul das Ilhas Ryukyu, foi palco da erupção de Akahoya há 7.300 anos. Considerado o maior evento vulcânico do Holoceno, esse episódio lançou 61 quilômetros cúbicos de rocha densa — volume 11 vezes superior ao da erupção de Novarupta, no Alasca, em 1912. Na ocasião, o material ejetado cobriu mais de 4.400 quilômetros quadrados, área quase três vezes maior que a cidade de Nova York, enquanto fluxos piroclásticos atingiram distâncias de 150 quilômetros do epicentro, resultando na dizimação do povo Jōmon, habitantes do Japão antigo entre 14.000 a.C. e 300 a.C.

Embora a atividade vulcânica tenha sido esporádica nos últimos 3.900 anos, período em que uma nova cúpula de lava se formou, análises químicas revelaram que esse material recente difere do expelido na erupção de Akahoya. Para o geofísico da Universidade de Kobe, Seama Nobukazu, esse padrão de reinjeção de magma é semelhante ao observado em outros reservatórios rasos de grande porte, como o de Yellowstone.

A investigação foi conduzida por meio de expedições marítimas, utilizando sismógrafos instalados no fundo do mar e canhões de ar para monitorar a propagação de pulsos na crosta terrestre. Os dados coletados confirmaram a existência do grande reservatório de lava que alimentou o evento histórico e evidenciaram que mesmo erupções de menor magnitude na região poderiam ser devastadoras.

Os resultados do estudo servem como base para a criação de modelos sobre o reabastecimento de reservatórios magmáticos após grandes explosões, auxiliando vulcanólogos na previsão de novos eventos. A equipe de pesquisa pretende agora aprimorar a metodologia para monitorar sinais de atividade e compreender a dinâmica dos processos de reinjeção.

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