Estudo indica que interação com pets melhora o humor, mas não reduz o estresse dos donos
Estudo holandês publicado na Frontiers in Psychology indica que a interação com cães e gatos melhora o humor dos donos a curto prazo, mas não reduz o estresse. A pesquisa, realizada via aplicativo com 75 proprietários de cães e 36 de gatos, apontou que a convivência com felinos pode agravar o nível de estresse
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/n/w/qXYuApQEu2eQM3chZqjQ/nature-animals.jpg)
Uma pesquisa holandesa publicada no periódico *Frontiers in Psychology* analisou como a interação em tempo real com cães e gatos influencia o humor e os níveis de estresse de seus proprietários. Durante cinco dias, incluindo períodos de folga, os participantes responderam a cerca de dez notificações diárias via aplicativo, relatando se estavam interagindo com o animal, seu estado emocional e o nível de estresse sentido no momento.
Os dados indicam que a convivência com animais de estimação promove uma melhora no humor a curto prazo, independentemente da espécie. No entanto, o estudo revelou que nem cães nem gatos foram capazes de reduzir o estresse dos donos. Enquanto a presença de cães não demonstrou impacto nesse quesito, a interação com gatos pareceu agravar a situação de estresse dos participantes.
A análise apresenta limitações estatísticas, como a disparidade na amostra, composta por 75 donos de cães e apenas 36 de gatos, o que impede conclusões definitivas. Para garantir a precisão das estatísticas, os pesquisadores excluíram do levantamento os casos em que cães e gatos coexistiam no mesmo ambiente, embora a combinação de diferentes animais possa gerar impactos positivos que demandam investigações futuras.
A metodologia utilizou perguntas de item único para medir as interações, o que simplificou a coleta de dados, mas não permitiu identificar a natureza do contato, como se tratava de um abraço ou de uma carícia rápida. Essa lacuna é relevante, pois a qualidade da interação pode variar conforme a espécie e a personalidade de cada animal.
Cães e gatos possuem históricos de domesticação distintos: enquanto os cães foram selecionados para cooperar com humanos, os gatos passaram por um processo de reprodução seletiva menos intensivo, preservando traços de comportamento solitário e territorial de seus ancestrais selvagens. Essa diferença reflete a dificuldade de donos em reconhecer sinais de descontentamento em felinos, embora falhas de comunicação também ocorram com cães ansiosos ou desconfortáveis.
O estudo sugere que a relação entre os traços de personalidade do dono e do animal, fundamentada no conceito psicológico de apego, molda a criação de vínculos. Assim, a eficácia do animal no bem-estar humano, prática utilizada desde o século XVIII, depende diretamente do tipo de interação: enquanto um gesto espontâneo de afeto do animal pode aliviar a tensão, a insistência em um carinho quando o pet está reativo pode elevar a exaustão do proprietário.