Ciência

Estudo indica que mulheres apresentam maior prevalência de dor do que homens em todas as idades

11 de Outubro de 2026 às 06:00 3 min de leitura

Estudo na Nature Medicine com 6,1 milhões de pessoas de 118 países indica que mulheres têm maior prevalência de dor em todas as idades e regiões do corpo. A disparidade decorre de fatores biológicos, sociais e doenças específicas, com picos de intensidade variando conforme a idade e a área anatômica. O índice de dor na terceira idade é superior em países com menor IDH

-0:00

Um estudo publicado na revista Nature Medicine revelou que as mulheres apresentam uma prevalência de dor superior à dos homens em todas as fases da vida e em todas as regiões anatômicas analisadas. A pesquisa baseou-se em dados de mais de 6,1 milhões de pessoas, residentes em 118 países, com idades entre 5 e 100 anos, coletados no período entre 1990 e 2025.

A análise contemplou 11 partes do corpo, incluindo cabeça, rosto, pescoço, ombro, tórax, abdômen, cotovelo, mão, punho, quadril, joelho, pé e tornozelo.

Fatores biológicos e sociais

A disparidade entre os gêneros é atribuída a causas múltiplas. Doenças que afetam predominantemente as mulheres e que historicamente receberam menos estudos, como a artrite reumatoide (doença autoimune), a endometriose e a enxaqueca menstrual, contribuem para esse cenário.

Além do aspecto clínico, a carga de trabalho e as responsabilidades familiares, somadas ao cuidado com terceiros, impactam a saúde feminina. A menor disponibilidade de tempo para lidar com o mal-estar tende a tornar a dor crônica. O estudo também aponta que expectativas socioculturais influenciam a subnotificação da dor entre os homens.

Picos de dor e envelhecimento

A pesquisa demonstrou que a intensidade do desconforto não cresce de forma uniforme com a idade, apresentando picos variados dependendo da região do corpo:

  • Jovens e adultos: A dor abdominal atinge seu ápice aos 23 anos, enquanto as cefaleias chegam ao pico de prevalência por volta dos 34 anos.
  • Meia-idade: A dor facial atinge o máximo aos 45 anos, a do cotovelo aos 59 e a da região de pescoço e ombros aos 62 anos.
  • Terceira idade: Em áreas de deterioração progressiva, como joelho, quadril e costas, o pico ocorre por volta dos 75 anos.

O desconforto de alta intensidade atinge seu nível máximo aos 50 anos, enquanto a dor generalizada chega ao ponto mais alto aos 70 anos, declinando após esse período.

Impacto do desenvolvimento socioeconômico

Embora as trajetórias da dor sejam semelhantes globalmente durante a juventude, há uma divergência acentuada a partir dos 65 anos. Países com menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) registram incidências de dor significativamente maiores na terceira idade do que nações com alto IDH.

Os principais fatores de risco identificados são a obesidade, o tabagismo e as condições socioeconômicas precárias. Como a dor é a principal causa de incapacidade no mundo, superada apenas pela depressão, a redução desses fatores modificáveis é essencial para a prevenção do problema.

Notícias Relacionadas