Ciência

Estudo indica que nuvem em Marte se forma sem a necessidade de partículas de condensação

10 de Outubro de 2026 às 09:00 2 min de leitura

Estudo na Nature Geoscience indica que a Nuvem Alongada de Arsia Mons, em Marte, surge pela transformação direta de vapor de água em gelo sem núcleos de condensação. Monitorado pela missão Mars Express, o fenômeno ocorre próximo a um vulcão e se expande por até 1.800 quilômetros. A formação resulta da ascensão de ar úmido e queda brusca de temperatura causada pelo relevo

-0:00
Estudo indica que nuvem em Marte se forma sem a necessidade de partículas de condensação
ESA/Mars Express

A formação da Nuvem Alongada de Arsia Mons, fenômeno anual observado em Marte, pode ocorrer por meio de um processo atmosférico raro, ainda não registrado diretamente em outros planetas. O estudo, publicado na revista Nature Geoscience, indica que a nuvem surge quando o vapor de água se transforma diretamente em partículas de gelo, dispensando a necessidade de partículas de poeira, sal ou fuligem para a condensação.

O fenômeno é monitorado pela missão Mars Express, da Agência Espacial Europeia (ESA). A nuvem manifesta-se nas proximidades de um vulcão de 20 quilômetros de altura, expandindo-se por até 1.800 quilômetros. Sua dinâmica é marcada por um ciclo rápido: a formação ocorre durante a manhã, seguida de um crescimento acelerado e desaparecimento em poucas horas.

Dinâmica atmosférica e relevo

A origem dessa estrutura está ligada à interação entre a atmosfera rarefeita de Marte e a topografia do Arsia Mons. O relevo do vulcão força a ascensão rápida do ar úmido para altitudes elevadas conforme o vento sopra. Esse deslocamento provoca uma queda brusca de temperatura, que pode atingir 30°C em um intervalo de apenas dez minutos, gerando condições extremas de umidade que permitem o congelamento direto do vapor.

Anteriormente, modelos de simulação não conseguiam reproduzir a existência da nuvem. A precisão dos dados só foi alcançada quando os pesquisadores integraram a possibilidade de formação de gelo sem a presença de núcleos de condensação.

Embora a descoberta ofereça uma explicação plausível, os autores do estudo ressaltam que o modelo ainda não replica integralmente todas as observações feitas pelas sondas espaciais. A análise contribui para a compreensão da atmosfera marciana e pode fornecer subsídios para o estudo de processos climáticos em outros planetas e sistemas exoplanetários.

Notícias Relacionadas