Estudo indica que o cérebro impõe o limite biológico para a longevidade humana aos 150 anos
Estudo publicado no NPJ Aging indica que a expectativa de vida humana ficaria entre 146 e 194 anos mesmo sem doenças degenerativas. O limite biológico seria imposto por mutações somáticas em órgãos com baixa regeneração, como o cérebro e o coração
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A medicina poderia, teoricamente, estender a vida humana para além dos limites atuais se conseguisse reverter os processos fundamentais do envelhecimento. Um estudo publicado no NPJ Aging analisou a viabilidade desse cenário, calculando a longevidade possível caso as doenças degenerativas fossem eliminadas, mas as mutações somáticas — alterações genéticas que ocorrem após o nascimento durante a divisão celular — permanecessem ativas.
Para a construção do modelo matemático, os pesquisadores utilizaram como base a taxa de mortalidade de indivíduos suíços de 30 anos, grupo identificado com baixo risco de óbito por patologias ligadas à idade.
O impacto das mutações celulares
Em um cenário ideal, onde o envelhecimento fosse neutralizado, a média de vida humana poderia chegar a 1.759 anos, com um teto estatístico de 29.221 anos. No entanto, esses números são drasticamente reduzidos quando se considera o impacto das mutações somáticas em tecidos com baixa capacidade de regeneração.
O estudo aponta que o limite biológico real seria imposto principalmente pelo cérebro e, em menor escala, pelo coração. Isso ocorre porque os cardiomiócitos e os neurônios possuem uma capacidade extremamente limitada de divisão celular, o que impede a substituição eficiente de células danificadas.
De acordo com Evgeny Efimov, pesquisador da AIRI e do Centro de Tecnologias Biomédicas da Skoltech, a incapacidade de divisão dessas células reduz a média teórica de vida de 1.759 para apenas 156 anos, mesmo que todas as outras causas do envelhecimento fossem erradicadas. Na prática, os cálculos indicam que a expectativa de vida ficaria situada entre 146 e 194 anos.
Capacidade de regeneração e limites biológicos
Diferente do sistema nervoso e cardiovascular, o fígado apresenta um comportamento oposto devido à sua alta taxa de renovação celular. No modelo proposto, a capacidade de regeneração desse órgão permitiria que ele mantivesse suas funções por milhares de anos.
Apesar dos achados, os autores ressaltam que as mutações somáticas não são a única causa do envelhecimento. O processo é influenciado por outros fatores, como:
- Alterações epigenéticas;
- Disfunção mitocondrial;
- Perda de proteínas funcionais.
A conclusão do estudo indica que qualquer tentativa científica de ultrapassar a barreira dos 150 anos de vida precisaria focar obrigatoriamente na proteção ou substituição de neurônios, já que o cérebro é o órgão que estabelece o limite biológico mais rigoroso para a sobrevivência humana.