Ciência

Estudo indica que o Sol pode gerar explosões com energia superior aos registros da era espacial

11 de Setembro de 2026 às 06:27 4 min de leitura

Estudo do Instituto Max Planck e da Universidade de Colorado indica que o Sol pode gerar explosões com energia superior aos registros da era espacial. A análise de dados da NASA sugere que eventos podem ser 30 vezes mais potentes que a maior explosão observada por instrumentos modernos

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Estudo indica que o Sol pode gerar explosões com energia superior aos registros da era espacial
MPS / Alexey Chizhik

Um estudo conduzido por pesquisadores do Instituto Max Planck de Pesquisa do Sistema Solar (MPS), na Alemanha, e da Universidade de Colorado, nos EUA, indica que o Sol possui a capacidade de gerar explosões solares com níveis de energia significativamente superiores aos registrados desde o início da era espacial. A pesquisa, publicada na revista Philosophical Transactions of the Royal Society A, alerta que a atual estabilidade observada nos últimos setenta anos pode não refletir o potencial máximo de radiação da estrela.

A preocupação central reside no fato de que a infraestrutura tecnológica global — incluindo redes elétricas, internet e satélites de GPS — foi projetada com base nas tempestades solares monitoradas nas últimas sete décadas. Um evento de magnitude extrema poderia romper essas proteções, causando danos severos aos sistemas de suporte da civilização moderna.

A relação entre manchas solares e energia

Para fundamentar a análise, a equipe não utilizou simulações, mas dados reais do Observatório de Dinâmica Solar (SDO) da NASA. Os cientistas analisaram mais de 300 explosões de grande porte ocorridas entre 2010 e 2016, cruzando o tamanho das regiões ativas (zonas de campo magnético intenso associadas às manchas solares) com a área das "fitas de ejeção" na cromosfera.

A partir dessa relação estatística, os pesquisadores estabeleceram que quanto maior e mais complexa a região ativa, maior a energia potencial de uma explosão. Ao aplicar essa fórmula à maior mancha solar registrada desde 1859 — ocorrida em abril de 1947, com uma área de 6.132 milionésimos do hemisfério solar —, o estudo revelou um cenário alarmante.

Se a mancha de 1947 tivesse liberado todo o seu potencial, a explosão teria atingido energias de algumas vezes $10^{34}$ ergios. Para efeito de comparação:

  • Tempestade de Halloween (2003): A explosão mais potente medida por instrumentos modernos (classe X43) liberou cerca de $4,3 \times 10^{32}$ ergios.
  • Potencial de 1947: A estimativa teórica sugere que o evento poderia ter sido 30 vezes mais potente do que a maior explosão já observada diretamente.

Evidências indiretas e registros históricos

Embora não existam provas diretas de explosões dessa magnitude no Sol recentemente, a equipe aponta evidências indiretas. A observação de estrelas semelhantes ao Sol sugere que explosões que superam $10^{34}$ ergios ocorrem, em média, uma vez por século. Além disso, a análise de isótopos radioativos em núcleos de gelo do permafrost ártico e em troncos de árvores antigas revela picos de partículas solares de alta energia.

Um exemplo notável é o registro de carbono-14 em cedros japoneses entre os anos 774 e 775 d.C., identificado pela pesquisadora Fusa Miyake em 2012. No entanto, como as explosões solares não deixam rastros geológicos — apenas as partículas as deixam —, não há confirmação se esses bombardeios foram acompanhados por explosões de luz e energia comparáveis.

O fator de risco: confinamento vs. liberação

O estudo ressalta que a existência de uma mancha solar gigantesca não garante a ocorrência de um apagão. A liberação de energia depende da configuração do campo magnético.

  • Confinamento: Em outubro de 2014, a região ativa AR 12192, apesar de sua magnitude, manteve a energia presa próxima ao Sol, sem gerar tempestades geomagnéticas graves na Terra.
  • Liberação: Já a região de Quebec, em março de 1989, possuía tamanho comparável e produziu uma explosão de classe X19, impactando severamente a rede elétrica canadense.

A pesquisa também menciona o Evento Carrington de 1859, a explosão mais potente já registrada, que causou auroras no Caribe e faíscas em telégrafos. Estima-se que sua energia tenha sido de algumas vezes $10^{32}$ ergios, valor próximo ao da tempestade de 2003.

A conclusão dos autores é que, enquanto o tamanho da mancha define o limite superior de energia disponível, a desorganização do campo magnético é o que determina se esse plasma será lançado em direção à Terra. O trabalho amplia o intervalo do que é fisicamente possível, sugerindo que os limites de segurança atuais podem estar defasados diante da real capacidade do Sol.

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