Ciência

Estudo indica que o Sol possui 55% mais prata do que as estimativas anteriores

21 de Agosto de 2026 às 06:28

Pesquisadores da Universidade de Uppsala identificaram que o Sol possui 55% mais prata do que se estimava anteriormente. O estudo, publicado na Astronomy & Astrophysics, utilizou a espectroscopia solar para alinhar a composição da estrela à de meteoritos primitivos

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Estudo indica que o Sol possui 55% mais prata do que as estimativas anteriores
Reuters/NASA Johns Hopkins

Pesquisadores da Universidade de Uppsala, na Suécia, identificaram que o Sol possui uma quantidade de prata 55% superior às estimativas anteriores. O estudo, publicado na revista Astronomy & Astrophysics, resolve uma divergência histórica entre a composição química da estrela e a de meteoritos primitivos, ambos formados há 4,6 bilhões de anos a partir da mesma nuvem de gás e poeira.

A descoberta não dependeu de novas imagens, mas de uma reinterpretação mais precisa da luz solar. Até então, os modelos astronômicos simplificavam o comportamento dos átomos, o que gerava a percepção de que faltava prata na estrela em comparação a rochas espaciais antigas, dificultando a compreensão dos modelos de formação planetária.

A técnica de análise espectral

Para determinar a abundância do metal, a equipe utilizou a espectroscopia solar, método que analisa as longitudes de onda da luz. O processo identifica padrões específicos — semelhantes a impressões digitais — gerados quando os átomos da atmosfera solar absorvem radiação e criam linhas escuras no espectro. No caso da prata, as linhas mais intensas situam-se na região do ultravioleta.

A precisão do novo cálculo foi possível ao combinar a física atômica atualizada com um modelo dinâmico das camadas externas do Sol. Diferente de abordagens passadas, o novo método considera os efeitos de desequilíbrio, reconhecendo que a luz altera o estado dos próprios átomos de prata que originam as linhas de absorção. Segundo Sema Caliskan, autora principal do trabalho, essa abordagem permitiu interpretar as linhas espectrais com maior exatidão, elevando a estimativa do metal.

Importância para a evolução cósmica

Embora o hidrogênio e o hélio dominem a composição solar, cerca de 1,5% de sua massa é formada por elementos pesados, como ferro, carbono e prata. Esses componentes atuam como um registro fóssil da evolução do cosmos, revelando como elementos foram criados em explosões estelares e incorporados em novas gerações de planetas.

A precisão sobre a composição do Sol é fundamental para entender a evolução química da Via Láctea. Além de alinhar os dados solares aos de meteoritos, a metodologia desenvolvida agora serve como ferramenta para analisar estrelas de diversas idades e características. O objetivo é compreender a origem da prata no universo e a forma como esse metal se distribuiu pela galáxia ao longo do tempo.

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