Estudo indica que o Sol possui condições físicas para originar supererupções de radiação
Pesquisadores do Instituto Max Planck identificaram que o Sol possui condições físicas para originar supererupções, explosões de radiação com energia superior às convencionais. O estudo, publicado na Philosophical Transactions of the Royal Society A, baseou-se na relação entre a energia liberada e a dimensão das manchas solares
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Pesquisadores do Instituto Max Planck para a Pesquisa do Sistema Solar (MPS), na Alemanha, identificaram que o Sol possui as condições físicas necessárias para originar supererupções. Esses eventos consistem em explosões de radiação com níveis de energia drasticamente superiores às erupções solares convencionais, podendo liberar a potência equivalente a bilhões de bombas de hidrogênio.
O estudo, publicado em 10 de setembro de 2026 na Philosophical Transactions of the Royal Society A, baseou-se na análise da correlação entre a energia liberada em erupções e a dimensão das manchas solares. A investigação buscou entender o limite da atividade estelar, já que as medições diretas da atividade do Sol abrangem apenas sete décadas — um período irrelevante diante dos 4,6 bilhões de anos de existência da estrela.
Metodologia e evidências estatísticas
Para contornar a ausência de registros diretos de supererupções no sistema solar, a equipe liderada por Natalie Krivova utilizou dados do Solar Dynamics Observatory da NASA, coletados entre 2010 e 2016. Foram analisadas as 300 erupções mais potentes do período, comparando a energia emitida com a extensão da região ativa de origem — áreas caracterizadas por campos magnéticos complexos e intensos.
Essa análise permitiu criar uma relação estatística que, segundo Krivova, é aplicável também a eventos de maior magnitude. Com esse modelo, os cientistas puderam examinar as maiores manchas solares registradas nos últimos 400 anos.
Um dado relevante surgiu nos registros de abril de 1947, quando foi observada uma mancha solar com diâmetro cerca de 40 vezes maior que a Terra, cobrindo 0,6% do disco visível do Sol. Embora aquele evento específico não tenha resultado em uma supererupção, o estudo indica que regiões magnéticas com tais dimensões detêm energia suficiente para desencadear explosões extremas em cenários raros.
Potencial de risco e contexto astronômico
A capacidade teórica do Sol de gerar esses eventos é corroborada por observações em outras estrelas semelhantes, que apresentam supererupções, em média, a cada 100 anos. Na Terra, existem indícios indiretos, como isótopos radioativos em gelos antigos e árvores, que apontam bombardeios de partículas solares, embora tais rastros não comprovem a ocorrência de supererupções.
A possibilidade de tais fenômenos é crítica devido ao impacto na infraestrutura tecnológica. Tempestades solares intensas podem comprometer:
- Redes elétricas;
- Satélites;
- Sistemas de navegação;
- Comunicações por rádio.
Um exemplo histórico de impacto, embora não classificado como supererupção, foi o Evento de Carrington em 1859, que afetou redes telegráficas e gerou auroras em latitudes incomuns.
Apesar de confirmar que o Sol tem potencial para produzir essas explosões massivas, a pesquisa não define a probabilidade de ocorrência nem prevê datas para tais eventos. O trabalho estabelece o limite máximo de energia que as maiores regiões ativas conhecidas podem atingir, mantendo em aberto a questão sobre se a estrela já disparou uma supererupção em seu passado remoto.